domingo, 21 de fevereiro de 2010

Mistérios no Rio de Janeiro – O Gigante Deitado

     Assim como tantos outros lugares, O Rio de Janeiro também tem seus mistérios. Desde pequeno conheço a lenda do “Gigante Deitado” e recentemente encontrei a relíquia, Roberto Carlos e o Diamante Cor de rosa, um filme brasileiro de 1968, escrito e dirigido por Roberto Farias. O enredo e o mesmo contato por minha mãe e avó.

      Existe uma teoria, a qual é bastante difundida, de que a Pedra da Gávea seria a tumba de um rei fenício. E os Pão de Açúcar os pés do Gigante Deitado.

     Tudo começa no século XIX. Algumas "marcas" na rocha chamaram a atenção do Imperador D. Pedro I, apesar de seu pai, D. João VI, rei de Portugal, já ter recebido um relatório de um padre falando sobre as marcas estranhas, as quais foram datadas de antes de 1500. Até 1839, pesquisas oficiais foram conduzidas, e no dia 23 de março, em sua oitava seção extraordinária, o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil decidiu que a Pedra da Gávea deveria ser extensamente analisada, e ordenou então o estudo do local e suas inscrições. Uma pequena comissão foi formada para estudar a rocha.

     130 anos mais tarde, o jornal O Globo questionou tal comissão, querendo saber se eles realmente escalaram a rocha, ou se eles simplesmente estudaram-na usando binóculos. O relatório fornecido pelo grupo de pesquisa diz que eles "viram as inscrições e também algumas depressões feitas pela natureza." No entanto, qualquer um que veja estas marcas de perto irá concordar que nenhum fenômeno natural poderia ter causado estas inscrições.

      Após o primeiro relatório, ninguém voltou a falar oficialmente sobre a Pedra até 1931, quando um grupo de excursionistas formou uma expedição para achar a tumba de um rei fenício que subiu ao trono em 856 a.C. Algumas escavações amadoras foram feitas sem sucesso. Dois anos depois, em 1933, um grupo de escaladas do Rio de Janeiro organizou uma expedição gigantesca com 85 membros, o qual teve a participação do professor Alfredo dos Anjos, um historiador que deu uma palestra "in loco" sobre a "Cabeça do Imperador" e suas origens.

     Em 20 de janeiro de 1937, este mesmo clube organizou outra expedição, desta vez com um número ainda maior de participantes, com o objetivo de explorar a face e os olhos da cabeça até o topo, usando cordas.

      Esta foi a primeira vez que alguém explorava aquela parte da rocha depois dos fenícios, se a lenda está correta. Segundo um artigo escrito em 1956, em 1946 o Centro de Excursionismo Brasileiro conquistou a orelha direita da cabeça, a qual está localizada a uma inclinação de 80 graus do chão e em lugar muito difícil de chegar. Qualquer erro e seria uma queda fatal de 20 metros de altura para todos os exploradores.

      Esta primeira escalada no lado oeste, apesar de quase vertical, foi feita virtualmente a "unha". Ali, na orelha, há a entrada para uma gruta que leva a uma longa e estreita caverna interna que vai até ao outro lado da pedra. Em 1972, escaladores da Equipe Neblina escalaram o "Paredão do Escaravelho" - a parede do lado leste da cabeça - e cruzaram com as inscrições que estão a 30 metros abaixo do topo, em lugar de acesso muito difícil. Apesar de o Rio ter uma taxa anual de chuvas muito alta, as inscrições ainda conservavam-se quase intactas.

     Em 1963 um arqueólogo e professor de habilidade científica chamado Bernardo A. Silva Ramos traduziu-as como:

LAABHTEJBARRIZDABNAISINEOFRUZT

Que lidas ao contrário:

TZUR FOENISIAN BADZIR RAB JETHBAAL

Ou:

TIRO, FENÍCIA, BADEZIR PRIMOGÊNITO DE JETHBAAL

Alguns dos Fatos que Levam às Muitas Estórias Sobre a Pedra

- A grande cabeça com dois olhos não muito profundos e sem ligação entre eles e as orelhas;
- As enormes pedras no topo da cabeça a qual lembra um tipo de coroa ou adorno;
- Uma enorme cavidade na forma de um portal na parte nordeste da cabeça que tem 15 metros de altura e 7 metros de largura e 2 metros de profundidade;
- Um observatório na parte sudeste como um dólmen, contendo algumas marcas;
- Um ponto culminante como uma pequena pirâmide feita de um único bloco de pedra no topo da cabeça;
- As famosas e controversas inscrições no lado da rocha;
- Algumas outras inscrições lembrando cobras, raios-solares, etc., espalhados pelo topo da montanha;
- O local de um suposto nariz, que teria caído há muito tempo atrás

     Roldão Pires Brandão, o presidente da Associação Brasileira de Espeleologia e Pesquisas Arqueológicas no Rio afirmaram: "É uma esfinge gravada em granito pelos fenícios, a qual tem a face de um homem e o corpo de um animal deitado. A cauda deve ter caído por causa da ação do tempo. A rocha, vista de longe, tem a grandeza dos monumentos faraônicos e reproduz, em um de seus lados, a face severa de um patriarca".

     (O GLOBO) Hoje já se sabe que em 856 a.C., Badezir tomou o lugar de seu pai no trono real de Tiro. Será a Pedra da Gávea o túmulo deste rei? Segundo consta, outros túmulos fenícios que foram encontrados em Niterói, Campos e Tijuca sugerem que esse povo realmente esteve aqui. Em uma ilha na costa do Estado da Paraíba, pedras ciclope e ruínas de um castelo antigo com quartos enormes e diversos corredores e passagens foi encontrado. De acordo com alguns especialistas, o castelo seria uma relíquia deixada pelos fenícios, apesar de haver pessoas que contestem essa teoria.

     Robert Frank Marx, um arqueólogo americano interessado em descobrir provas de navegantes pré-colombianos no Brasil, começou em outubro de 1982, uma série de mergulhos na Baía de Guanabara. Ele queria achar um navio fenício afundado e provar que a costa do Brasil foi, em épocas remotas, visitada por civilizações orientais. Apesar de não achar tal embarcação, o que ele encontrou pode ser considerado um tesouro valioso.

      Sobre esta procura, O GLOBO publicou: "O caso dos vasos fenícios na Baía de Guanabara sempre foi tratado com o maior sigilo e seu achado só foi revelado um ano depois, em 1978, com vagas informações. O nome do mergulhador que achou as doze peças arqueológicas só foi revelado, depois de uma conferência no Museu Marinho, pelo presidente da Associação Profissional para Atividades Sub-Aquáticas, Raul Cerqueira." Três vasos foram encontrados. Um permaneceu com José Roberto Teixeira, o mergulhador que encontrou os vasos, e os outros dois foram para a Marinha. As peças com capacidade para armazenar 36 litros, estão sob a guarda do governo brasileiro em uma localidade desconhecida.

A Escadaria

     Existe uma gruta tipo sifão na parte onde o maciço toca o mar, com a parte abobadada acima do mar e com ventilação natural, onde se encontra uma escadaria em sentido ascensional, que segundo consta, levaria ao interior da Pedra. O caso mais conhecido referente a esta escadaria é o de dois rapazes que faziam caça submarina e ao encontrarem a entrada para esta gruta, resolveram entrar. Decidiram subir os degraus da escadaria e a última coisa que se lembram é de perderem os sentidos. Quando acordaram, estavam no topo da pedra a 842 metros de altitude.

Mais quem são os Fenícios?

    Os fenícios localizavam-se na porção norte da Palestina, onde hoje se encontra o Líbano. Esta civilização originou os semitas que, saindo do litoral norte do Mar Vermelho, fixaram-se na Palestina realizando o cultivo de cereais, videiras e oliveiras.

     Tiveram como suas maiores cidades: Tiro e Sidon. Foram responsáveis pela construção de portos comerciais e colônias em praias distantes, como: Cádiz, na Espanha, e Cartago, localizada ao norte da África.

    A palavra Fenícia deriva do nome grego da área: Φοινίκη — Phoiníkē. O nome Espanha vem de uma palavra fenícia que significa "costa de coelho". Quanto à religião, os fenícios eram politeístas, e talvez admitissem sacrifícios humanos.

    Na Bíblia, o rei Hiram I de Tiro é mencionado como tendo cooperado com o rei Salomão na organização de uma expedição ao Mar Vermelho e na construção do Templo de Salomão. Este templo foi construído de acordo com desenho fenício, e as suas descrições são consideradas como a melhor descrição existente que temos do que terá sido um templo fenício. Os fenícios da Síria também eram chamados siro-fenícios.

    Os fenícios foram um povo de comerciantes com descendência de Cam que saíram do norte da região hoje conhecida como Líbano para o norte da África em busca de novas rotas e que por um grande período de tempo dominaram o comércio no Mediterrâneo. Assim, os fenícios fundaram portos e cidades em lugares tão longínquos quanto a costa norte de África e a Espanha.

     A constante presença de potências estrangeiras na vida cultural da Fenícia parece ter sido a causa de sua pouca originalidade: as sepulturas fenícias, por exemplo, eram decoradas com motivos egípcios ou mesopotâmicos. Mesmo assim, os Fenícios deixaram para nós o maior legado cultural da Antigüidade: um alfabeto fenício fonético simplificado, com cerca de 22 letras, que inovava em relação a outros sistemas de escrita da antiguidade por basear-se em sinais representando sons, ao invés de pictogramas. Esse alfabeto é ancestral de grande parte dos alfabetos usados no mundo.

     No campo religioso, os fenícios incorporaram o predominante politeísmo das sociedades antigas. Baal era o deus associado ao sol e às chuvas. Aliyan, seu filho, era a divindade das fontes. Astartéia era uma deusa vinculada à riqueza e à fecundidade. Durantes seus rituais, feitos ao ar livre, os fenícios costumavam oferecer o sacrifício de animais e homens.

    Além disso, desenvolveram a metalurgia, a tecelagem, a tinturaria, cerâmica, fabricação de vidros, cristais transparentes, joias e corante púrpura para tecidos, extraido de um líquido do caramujo Murex pecten.

Fênix e o Morro do Pão de Açúcar


     O mito do pássaro Fênix vem do antigo Egito. Na teologia heliopolitana, lendário pássaro Bennu, ou Fênix, a cada longo período de tempo, fazia um ninho de ramos e temperos aromáticos, ateava fogo neste e se deixava consumir pelas chamas. Da pira surgia miraculosamente um novo Fênix, o qual, após embalsamar as cinzas de seu pai em um ovo de mirra, voava com este para Heliópolis, onde depositava as cinzas no altar do deus-sol .

    Uma variante da estória diz que o moribundo fênix voava para Heliópolis, pousava no altar e ateava fogo a si próprio, para então um jovem fênix ressurgir... Os egípcios associavam a Fênix com a imortalidade.

     As fontes variam quanto ao período do retorno do pássaro Bennu, mas de acordo com R.T.Rundle Clark, este tempo seria de 12.954 anos. Devemos notar que este período é bem próximo ao meio-ciclo do fenômeno de precessão (onde um circulo inteiro teria 25.920 anos). Então, se o "retorno da Fênix" puder ser expressado em termos astronômicos como uma lenta passagem do ponto vernal por seis casas do zodíaco (a passagem por cada casa leva em torno de 2.160 anos), e se os novos estudos situando o antigo Egito e a construção das pirâmides do platô de Gizé e a esfinge em 10.500 a.C. (época em que a constelação de Leão podia ser vista no ponto vernal) estiverem corretos, teremos, segundo estes cálculos, a entrada da Era de Aquário para a próxima data para o retorno da Fênix....

     Um dos fatos mais marcante e que existem provas da visita de outras civilizações antes do suposto descobrimento, na medida do possível vou dar continuidade a essas histórias sempre com uma visão imparcial. A decisão e sempre de vocês leitores.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Vikings

     Os vikings são uma antiga civilização originária da região da Escandinávia, que hoje compreende o território de três países europeus: a Suécia, a Dinamarca e a Noruega. Foram também chamados de normandos pelos franceses e italianos na Idade Média. A palavra viking origina-se do normando “vik” cujo significado mais provável é “homens do norte”, eles estabeleceram uma rica cultura que se desenvolveu graças à atividade agrícola, o artesanato e um notável comércio marítimo.

     Durante a época antiga e medieval eles estabeleceram vários contatos comerciais com a Europa. Porém, entre os séculos VIII e XI, começaram a fazer várias incursões no continente europeu com o objetivo de saquear riquezas e conquistar terras. As pesquisas arqueológicas e os relatos históricos indicam que, através dos rios, penetraram em território europeu com seus barcos, levando o medo e a morte em regiões da França, Alemanha, Inglaterra, Irlanda e Rússia. A instabilidade, causada pelas invasões, fizeram com que os europeus construíssem castelos e reforçassem a segurança nos portos, mas de nada adiantou em função do grande poderio bélico dos “povos do norte”. Além de ter favorecido a construção de castelos, as incursões estimularam a descentralização política durante o feudalismo.

     O processo de invasão à Bretanha aconteceu nos fins do século VIII. No ano de 865, um poderoso exército de vikings dinamarqueses empreendeu uma guerra que resultou na conquista de grande parte das terras britânicas. Com isso, observamos a consolidação do Danelaw, um extenso território viking que englobava as regiões Centro-norte e Leste da Bretanha. Na mesma época, os vikings continuaram sua expansão em terras escocesas.

      A economia dos vikings baseava-se na pesca e do comércio marítimo que praticavam na região norte da Europa. Eram povos guerreiros, fato que impunha muito respeito na região. Fabricavam armas e escudos de metal e embarcações de guerra.

     As habitações dos vikings eram bastante simples. Madeira, pedras e relva seca eram os principais elementos utilizados na construção das residências. Além disso, observamos que a distribuição espacial do lar era bem simples, tendo, muitas vezes, a presença de um único cômodo. Nas famílias um pouco mais abastadas, observamos a presença uma divisão mais complexa composta por salas, cozinha e quartos.

     Nas fazendas, as pessoas moravam geralmente em grandes casarões comunitários. Geralmente esses casarões eram habitados pelas famílias. Por exemplo: três irmãos, com suas respectivas esposas, filhos e netos.

     As famílias dos vikings eram muito importantes, sendo provedoras de abrigo alimento e proteção. As famílias tinham rivalidades e brigas com outras, sendo julgados nas Things ou com os ordálios, testes para julgamentos divinos. No caso de mortes da família, era normal haver vinganças, devido à importância destas na sociedade. Os membros das famílias trabalhavam juntos, mesmo após casarem, trabalhando desde pequenos nas famílias, aprendendo trabalhos mais difíceis com o tempo, trabalhando com ferro ou no caso de jarls, na política ou na guerra. Os patriarcas detinham muito poder, podendo escolher se seus filhos viveriam ou não após nascerem.

     As mulheres após o casamento mudavam para a família do marido e tinham trabalhos como cozinhar, limpar e cuidar dos necessitados. As mulheres eram obedientes, mas podiam pedir divórcio, caso houvesse motivo, já os maridos podiam ter concubinas e matar as mulheres adúlteras, mas tinham de pagar ao pai da noiva para casar. Como as famílias ensinavam os trabalhos aos filhos, muitos trabalhos eram familiares, como os stenfsmiors, que construíam barcos e com a madeira dos barcos velhos, reparavam os outros barcos.

     Em razão das baixas temperaturas, os vikings tinham a expressa necessidade de uma vestimenta que pudesse suportar as baixas temperaturas do norte europeu. Geralmente, combinavam peças de tecido com couro e peles grossas que pudessem manter o seu corpo aquecido. Além disso, podemos ainda destacar que toda a população apreciava a utilização de acessórios em metal e pedra.

     A organização familiar viking tinha claros traços patriarcais, sendo o homem o grande responsável pela defesa da família e a realização das principais atividades econômicas. Dedicada aos domínios domésticos, a mulher era responsável pela preparação dos alimentos e também auxiliava em pequenas tarefas cotidianas. A educação das crianças era delegada aos pais, sendo eles que repassavam as tradições e ofícios vikings.

     O rei era a principal autoridade política entre os vikings. Logo em seguida, os condes e chefes tribais também desfrutavam de grande prestígio e poder de mando entre a população. O poder de decisão entre os locais tinha certa presença entre os vikings. Reunidos ao ar livre, discutiam a elaboração de suas leis próprias e as punições a serem deferidas contra os criminosos.

     Os povos vikings, assim como tinham uma mesma organização política, também compartilhavam uma mesma composição sociocultural. A língua falada pelos vikings era a mesma, seu alfabeto também era o mesmo: o alfabeto rúnico. As sociedades estavam divididas, de um modo geral, da seguinte maneira: O rei estava no ápice da pirâmide; abaixo dele estavam os jarls, homens ricos e grandes proprietários de terras; abaixo dos jarls havia os karls, ou seja, o povo, livres, mas sem posses ou com poucas propriedades, geralmente pequenos comerciantes ou lavradores. Os karls compunham o grosso dos exércitos vikings e tinham participação nas Althings; abaixo dos karls, havia os thralls, escravos. Eles geralmente eram prisioneiros de batalhas, mas podiam ser escravos por dívidas ou por crimes, seus proprietários tinham direito de vida e morte sobre eles.

     A maior parte dos povoados vikings eram fazendas pequenas, com entre cinqüenta e quinhentos habitantes. Nessas fazendas, a vida era comunitária, ou seja, todos deviam se ajudar mutuamente. O trabalho era dividido de acordo com as especialidades de cada um. Uns eram ferreiros, outros pescadores, outros cuidavam dos rebanhos, uns eram artesãos, outros eram soldados profissionais, mas a maioria era agricultora.

     O exército Viking era formado de guerreiros profissionais: treinavam para combates ferozes e estavam melhor equipados com espadas, escudos, machados e arcos. Além disso, eram exímios navegadores e com seus barcos sólidos se aventuravam para o alto mar. Quando chegavam à terra, saqueavam imediatamente as aldeias para obter cavalos, gado e cereais.

     Os vikings ficaram conhecidos pelo desenvolvimento de apuradas técnicas de navegação. Acabaram por unificar a Noruega, reinando sobre ela durante anos.

     Além de permitir que os vikings navegassem longas distâncias, seus navios dragão (drakar) traziam vantagens tácticas em batalhas. Eles podiam realizar eficientes manobras de ataque e fuga, nas quais atacavam rápida e inesperadamente, desaparecendo antes que uma contra-ofensiva pudesse ser lançada. Os navios dragão podiam também navegar em águas rasas, permitindo que os vikings entrassem em terra através de rios.

     Foram os primeiros na Europa do Norte a construí-los com velas. Com isto ganhavam enorme vantagem sobre as embarcações de outras nações, movidas a remos. E navegando cada vez mais distante, tomaram grande parte da Suécia e da Escócia, a ilha de Man, as ilhas Hébridas, a Islândia, a Groenlândia e outros territórios russos, suecos e finlandeses e construíram um respeitável povoado na região do fiorde de Oslo.

      O barco longo com o qual eles são normalmente associados, não foi o único tipo de embarcação que os escandinavos construíram. Eles fizeram navios mercantes e embarcações de carga também. Entretanto, todos os seus desenhos têm várias características comuns:

•construção com madeira rebitada;
•quilha (a peça de madeira na parte inferior de um barco que ajuda a impedir que ele vire);
•mastro único com uma vela quadrada de lã;
•casco de duas faces (a proa e a popa tinham o mesmo formato, assim o navio podia se mover em ambos os sentidos sem fazer a curva);
•timão lateral.

     Os vikings apreciavam muito as espadas, sendo que os mais ricos e poderosos tinham as mais belas e melhores espadas, possuindo detalhes dourados e até mesmo rúnicos. Além das espadas eles tinham facas, lanças de diversos tipos, como, de arremesso e eram as armas mais usadas em batalhas, sendo atiradas nos inimigos ou usadas normalmente, quando atiradas, era clamado o nome de Odin, deus da guerra conhecido por sua lança, Gungnir.

     O martelo do deus Thor, o mais venerado, era como um berloque que usavam para atrair a boa sorte. No período viking a Noruega conheceu um desenvolvimento notável: a agricultura, o comércio e a construção de barcos foram as atividades mais importantes. Tudo o que se sabe sobre o passado desse país está baseado em lendas, nas famosas sagas que descrevem as aventuras marítimas dos temíveis guerreiros bárbaros.

    Os dinamarqueses navegaram para o sul, em direção à Frísia, França e partes do sul da Inglaterra. Entre os anos 1013 e 1042, diversos reis vikings, como Canuto o Grande, chegaram mesmo a ocupar o trono inglês.

    Os suecos navegaram para o leste entrando na Rússia, onde Rurik fundou o primeiro estado russo, e pelos rios ao sul para o Mar Negro, Constantinopla e o Império Bizantino.

     Os noruegueses viajaram para o noroeste e oeste, ocupando as para as Ilhas Faroé, Shetland, Órcades, Irlanda e Escócia. Excepto nas ilhas britânicas, os noruegueses encontraram principalmente terras inabitadas e fundaram povoados. Primeiro a Islândia em 825 (monges irlandeses já estavam lá), depois a Groenlândia (985), foram ocupadas e colonizadas por vikings noruegueses. Em cerca de 1000 d.C., a América do Norte foi descoberta por Leif Eriksson da Groenlândia, que a chamou de Vinland. Um pequeno povoado foi fundado na península norte na Terra Nova (Canadá), mas a hostilidade dos indígenas locais e o clima frio provocaram o fim desta colónia poucos anos. Os restos arqueológicos deste local - L'Anse aux Meadows - constituem hoje em dia um sítio de Patrimônio Mundial da UNESCO.

     Os vikings fizeram a primeira investida no Oeste no final do século VIII. Os primeiros relatos de invasões vikings datam de 793, quando dinamarqueses atacaram e saquearam o famoso monastério insular de Lindisfarne, na costa Leste da Inglaterra. Os vikings saquearam o monastério, mataram os monges que resistiram, carregaram seus navios e retornaram à Escandinávia. Nos 200 anos seguintes, a história Européia encontra-se repleta de contos sobre os vikings e suas pilhagens. O tamanho e a freqüência das incursões contra a Inglaterra, França e Alemanha aumentaram ao ponto de se tornarem invasões. Eles saquearam cidades importantes como Hamburgo, Utrecht e Rouen. Colônias foram estabelecidas como bases para futuras incursões. As colônias no Noroeste da França ficaram conhecidas como Normandia (de "homens do Norte"), e seus residentes eram chamados de normandos.

     Um viking conhecido como Erik, o Vermelho foi exilado da Islândia devido a uma condenação por assassinato. Ouvindo narrativas sobre terras para o oeste, ele partiu com um barco cheio de homens e suprimentos e encontrou a Groenlândia, onde estabeleceu uma colônia. Embora as colônias da Groenlândia não tenham exatamente prosperado, elas não desapareceram.

     O filho de Erik, Leif, chamado de Leif Ericson, rumou para oeste a partir da Groenlândia e encontrou ainda mais terra. Essa área, contudo, estavam ocupada por nativos com quem os vikings nem sempre se deram bem. Não obstante, Leif estabeleceu novas colônias e até comercializou com os nativos. Mas as colônias caíram em declínio após 1200 d.C. e, aos poucos, nos 100 anos seguintes, ambas as colônias na "Vinland" de Leif e na Groenlândia foram completamente abandonadas. Apenas histórias orais preservaram o fato de que os vikings já visitaram a América do Norte.

      Depois da década de 60, um norueguês, Helge Ingstad, descobriu os restos de uma série de construções em L'Anse aux Meadows, na Terra Nova. A escavação revelou provas físicas de que os vikings tiveram colônias na América do Norte.

      Em 839, um viking dinamarquês conquistou Ulster, na Irlanda, estabeleceu uma colônia - que um dia se tornaria a cidade de Dublin - e coroou a si mesmo rei. Com o tempo, os pequenos grupos de ataque vikings se tornaram exércitos. Eles navegavam rio acima ou marchavam pela terra, avançando pelo interior, distante dos locais costeiros que normalmente atacavam. Os vikings até sitiaram Paris e provavelmente a teriam capturado se o povo não tivesse pago um resgate.

      O exército viking na França provocou grandes problemas, continuamente atacando e sitiando cidades. O rei franco Charles, o Simples, finalmente fez um acordo com um líder viking chamado Rollo. Sob a condição de que se convertesse ao cristianismo, Rollo foi agraciado com o território hoje conhecido como Normandia, que em sua forma original significava algo como "terra dos homens do norte". Alguns escandinavos se estabeleceram na área e gradualmente se mesclaram com a cultura francesa que os rodeava.

     Após décadas de pilhagem, a resistência aos vikings tornou-se mais eficiente e, depois da introdução do Cristianismo na Escandinávia, tornou a cultura viking mais moderada. As incursões vikings cessaram no fim do século XI. A consolidação dos três reinos escandinavos (Noruega, Dinamarca e Suécia) em substituição das nações Viking em meados do século XI deve ter influenciado também o fim dos ataques, visto que com eles os vikings passaram também a sofrer das intrigas políticas de que tanto se beneficiaram e muito da energia do rei estava dedicada a governar suas terras. A difusão do cristianismo fragilizou os valores guerreiros pagãos antigos, que acabaram sumindo. Os nórdicos foram absorvidos pelas culturas com as quais eles tinham se envolvido. Os ocupantes e conquistadores da Inglaterra viraram ingleses, os normandos viraram franceses e os Rus tornaram-se russos.

     Na esfera religiosa, os vikings eram portadores de uma rica mitologia povoada por vários deuses sistematicamente adorados em eventos coletivos. Várias histórias envolvem a luta entre os deuses nórdicos ou o conflito entre as divindades e os gigantes. Odin era adorado como “o Deus dos deuses”. Thor deus do trovão e filho de Odin era a divindade de maior popularidade e tinha poder sobre os céus e protegia o povo viking.

     Acreditavam também nas valkirias, mulheres valentes que cavalgavam com Odin durante as batalhas. Eram elas que conduziam os bravos guerreiros, mortos em batalhas, para a valhalla (o céu dos vikings).

     Eles tinham várias histórias para explicar coisas do cotidiano, como o sol e a lua, que acreditavam serem perseguidos pelos lobos Skoll (Perseguia o Sol) e Hati (Perseguia a lua), filhos de Fenrir(Que segundo o RAGNAROK, devora Odin em batalha, morrendo em seguida); o sol seria um deus e a lua uma deusa, chamado Mani. O arco-íris, segundo eles, tinha uma ponte, denominada Bifrost, guardada pelo deus Heimdall. O Deus-Sol passava todo dia com sua carruagem puxada pelos cavalos, Asvid e Arvak. Os deuses eram mais ou menos populares de acordo com a importância que tinham com o cotidiano. Alguns dos deuses mais venerados foram, Odin, Thor e Njord.

     A religião dos vikings costumava ter culto a ancestrais, além da veneração a deuses e transmitia idéias diferentes quanto a questões da vida e do mundo. Eles acreditavam que o mundo era dividido em “andares” e todos estavam unidos a uma enorma árvore, chamada, Yggdrasil. Estes “andares” eram diferentes e possuiam características especiais, sendo estes, nove. Havendo um mundo para os deuses, Asgard, e um mundo onde as pessoas vivem, midgard, além dos outros sete que são, Nilfheim, mundo abaixo de midgard, no subsolo, onde Hel governa os mortos. Outro mundo é Jotunheim, reino frio e montanhoso, onde os gigantes de rocha e neve (chamado de Jotuns) habitam e era governado por Thrym, gigante que roubou o Mjolnir de Thor para trocá-lo por Freya. Os outros mundos são, Vaneheim (casa dos Vanir), Muspellheim (casa dos gigantes de fogo, local cheio de cinzas e lava, cujo rei é o gigante Surt), Alfheim (onde os elfos moram), Svartaheim (onde os svartafars habitam, são conhecidos como elfos negros) e Nidavellir (é a terra dos anões).

    Esta religião não era baseada na luta entre o bem e o mal, mas entre a ordem e o caos, sendo que nenhum deus era tido como completamente bom nem mal, mesmo Loki sendo apresentado como provocador de conflitos, ele ajudou os deuses em diversas ocasiões.

      Os vikings valorizavam a morte e até a festejavam. Após a morte, haviam ritos, como a queima do corpo do morto com vários pertences e após a queima, estes eram recolhidos e as cinzas, colocadas em potes de cerâmica. Outra forma usada após a morte era a criação de câmaras, onde o morto era colocado junto a vários pertences e até seus cavalos. Esta forma era mais usada na dinamarca e na Ilha de Gotland. Há casos de enterros de navios, onde foram colocados rainha e princesa, junto a pertences e animais sacrificados, como, cães, cavalos e bois. Em outra câmara, foi encontrada uma mulher bem vestida, sendo esta rica e uma mal vestida retorcida, estudos confirmaram que esta era escrava e havia sido posta viva nesta câmara. No caso da morte de homens, era costume a sua mulher favorita ser enterrada viva junto a ele. O uso de barcos como túmulo, mostra poder e prestígio do morto e também simboliza a jornada pós-morte e tem ligação com a adoração a Njord.

      Adoravam o Sol e a Lua. Acreditavam que o inferno era um lugar frio onde eram levados os doentes e covardes.
     O Valhala ou Walhalla: era a mansão dos heróis. Lugar de clima ameno onde as valquírias lhe serviam hidromel.
Fricco ou Frey
      Landylfe: silfos da terra Waterylfe: silfos das águas Seeylfe: sylfos do mar
      Biegerfolks: anões que habitavam as montanhas. Underjosdisk: povo que habitava o subterrâneo.
     Koboldes: pequenos deuses.
     Zogerdr e Irpa: Gigantes que provocam as tempestades e os ventos
    Loki: Deus do fogo
    Odin: Maior de todos os deuses, não criou o mundo, mas tinha autoridade suficiente para governá-lo.
    Frigg, Frigga ou Freia: Deusa da fertilidade e da paz doméstica, mulher de Odin e mãe de Balder (uma versão germânica de Juno).
    Balder: O mais belo dos deuses, morto por Hoder, deverá renascer no grand Ragnarok para reconstruir o céu.
    Ragnarok: O crepúsculo dos deuses: cataclismo final onde muitos homens morrerão e os velhos deuses desaparecerão para surgir depois uma nova criação regenerada.

    Thor: Uma versão germânica de Hércules.
    Iord: Mãe de Thor. Silf ( a que alegra ) Mulher de Thor. Filhos de Thor:
     Trudr: a força Magni: o poder Modi: a inteligência
    Os guerreiros eram enterrados ou queimados com suas riquezas, exceto a parte que cabia por herança dos filhos.

     Com o processo de cristianização da Europa, ao longo da Idade Média, os vikings foram paulatinamente convertidos a essa nova religião. A dissolução da cultura viking acontece entre os séculos XI e XII. Os vários conflitos contra os ingleses e os nobres da Normandia estabeleceram a desintegração desta civilização, que ainda se encontra em algumas manifestações da cultura europeia.

     A escrita dos vikings era com runas, símbolos escritos em pedras, sendo usados até o período de cristianização que misturou as culturas e provocou alterações. Nessas misturas, muitas coisas da cultura cristã passaram para os vikings, mas algumas tradições e idéias da religião dos vikings passaram para os cristãos, colaborando para a aceitação do cristianismo pelos vikings. Alguns exemplos dessas cristianizações das coisas vikings, são, a “santificação” da festa da deusa Eostre – considerada por alguns, uma forma da deusa Frigg, esposa de Odin – cujos símbolos são coelhos e ovos e que originou os nomes da Páscoa no inglês e alemão, Easter e Ostern (alemão, vindo de uma variação de seu nome, Ostera).

     Existe um famoso museu viking, que fica em Oslo, na Noruega, denominado Vikingskipshuset. Outro museu, dedicado aos barcos vikings, é o Vikingeskibsmuseet, na Dinamarca.


Foram três as rotas básicas escandinavas durante a Era Viking:

Rota oriental - Seguida principalmente pelos suecos, que penetraram no coração dos territórios eslavos, até Novgorod e Kiev, fundando o primeiro Estado russo.
Rota ocidental (linha interna), seguida principalmente pelos dinamarqueses, que os conduzia às costas da Escócia, da Northumbria e da Neustria.
Rota ocidental (linha externa), seguida principalmente pelos noruegueses, no qual fundaram a Islândia, Groelândia e a visita à América do Norte.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A História do Povo Celta e os Druidas

     Os Celtas habitavam uma área na Europa que incluía a França e a Espanha e se estendia até o Danúbio. Já estabelecidos na Gália, os celtas passam a fazer incursões na Itália romana e etrusca. Alexandre o Grande recebeu embaixadores celtas em sua corte na Macedônia e tentaram saquear o santuário de Delfos, que foi salvo por uma forte nevasca atribuída ao deus Apolo.

    Esse período é conhecido como período chamado La Tène e alguns arqueólogos a consideram como a primeira cultura realmente celta. A arte desse período se originou da síntese dos padrões geométricos de Hallstatt com os estilos decorativos dos etruscos. É uma arte caracterizada por curvas e temas vegetais, claramente mais abstratos e inspirados na Natureza.

     Haviam diferentes denominações dadas aos povos celtas. Os gregos os chamavam de galatoi e keltoi. Os romanos os chamavam de galli, belgae e britanni. A Gália, após ser conquistada por Roma foi chamada Gallia e a Bretanha tornou-se Britannia. A Irlanda nunca foi invadida por Roma e é nesse país, portanto, que temos maior preservação do que foi a cultura celta original, e também seus mitos.

     É importante esclarecer que os celtas se estabeleceram por toda a Europa, mas nunca formaram um império unificado. Esse é um dos fatores que acabou por facilitar a vitória dos romanos sobre eles. Eram várias tribos independentes, ligadas por uma cultura em comum e que guerreavam constantemente entre si.

     Existem dois episódios famosos de sua história onde várias tribos lutaram juntas, mas são considerados casos excepcionais: um foi na Gália, quando Vercingetórix, um rei de formação druida, uniu várias tribos para resistirem à invasão romana. Após algumas vitórias foram sitiados pelas legiões e ele se entregou, para ser morto depois em praça pública romana. O outro foi a unificação de tribos que ocorreu na Grã-Bretanha, liderada pela rainha Boudicca, que também obteve muitas vitórias, mas acabou sucumbindo ao poder esmagador das legiões de Roma.

     Júlio César nos relata que os celtas estavam divididos em tribos aristocráticas que mantinham lutas constantes entre si, e esse foi o fator que mais facilitou as invasões romanas. Os romanos muitas vezes encorajavam essas disputas e rivalidades, para assim terem facilitadas as suas invasões em terras celtas.

     A sociedade celta estava dividida em três: a nobreza guerreira, os sacerdotes druidas e os homens livres. Era governada por reis guerreiros, por rainhas ou por aristocratas. Esses líderes não eram déspotas, conceito que não cabia na cultura celta, um povo que não se deixava dominar facilmente. O rei era eleito entre o ramo da família de seu predecessor, não necessariamente um dos filhos. Era comum uma mulher se tornar rainha caso seu marido viesse a morrer ou se tornasse inapto para o cargo. Havia, à margem dessa sociedade, a população não livre, no sentido de não terem posição social nem propriedades: eram as populações subjugadas em guerras, que trabalhavam como servos.

    Como principais meios de subsistência, os celtas cultivavam o trigo e criavam gado. A posse de bois era uma forma de se determinar a riqueza de cada um. Os celtas criaram o padrão xadrez para as vestimentas e o barril para transportar bebidas.

     Usavam calças, túnicas, mantos ou capas de lã, e estavam sempre ricamente adornados por torques de ouro, cintos ou faixas decorativas, broches e variados ornamentos corporais. As túnicas e capas tinham decoração bordada. As túnicas eram normalmente feitas de linho e caíam até os joelhos para os homens e até os tornozelos para as mulheres. As capas eram feitas de lã e seu comprimento ostentava a riqueza ou posição social. Usavam nos pés sandálias e sapatos de couro. A aparência de seus trajes era muito colorida, principalmente púrpura, carmesim e verde.

     Os celtas viviam em uma oppidum. Assim eram chamadas as comunidades, tribos e aldeias que eram cercadas por paliçadas e fossos para defesa. Viviam em casas circulares com paredes de madeiras e telhados de olmo, e as construções estavam organizadas conforme sua função: haviam áreas exclusivamente residenciais, outras apenas comerciais e ainda aquelas onde ficavam os prédios religiosos. Havia os sofisticados silos para armazenar grãos, além de rede de água e esgoto. Em terras celtas continentais eram também comuns as casas retangulares feitas de pedra em vez de madeira.

      Relatos romanos e achados arqueológicos nos informam como eles se vestiam para a guerra: pintavam-se de anil, para pareceram mais aterradores, usavam o cabelo comprido e raspavam os corpos, que eram também tatuados com desenhos abstratos e figuras de animais, muito provavelmente com o animal totem da tribo. Clareavam o cabelo com água de cal e os eriçavam para o alto, ou ainda o prendiam puxado para trás. Os celtas provavelmente aterrorizavam seus inimigos não apenas com essas táticas ou com sua notória coragem para guerrear, mas também por serem altos e musculosos, em sua maioria loiros e ruivos.

     A sociedade celta não era matriarcal, mas em muitos casos, era matrilinear, com os filhos sendo nomeados a partir da mãe. A mulher celta gozava de uma posição de igualdade social praticamente única para aqueles tempos.

    Um conhecido privilégio das mulheres celtas era o de poder anular o casamento caso seu marido não mais a estivesse satisfazendo sexualmente. Podemos identificar também os privilégios das mulheres celtas ao examinarmos os mitos desse povo, onde não faltam deusas guerreiras e poderosas, deusas independentes e até dominantes.

    Para que os recursos naturais de suas terras não se esgotassem quando o número de habitantes atingia um patamar muito elevado, eles tinham o consciente costume de dividir a tribo em duas, uma parte ficando no local e a outra parte migrando para outras terras. Historiadores da época descrevem que essa migração era orientada pelo animal totêmico da tribo em questão. Essas migrações são uma característica do já mencionado período La Tene, que foi a época de maior expansão celta na europa e também o auge dessa cultura.

     O legado celta da Irlanda é muito forte e a mais direta fonte para estudos, pois os romanos jamais invadiram esse país. Preciosos manuscritos da mitologia irlandesa nos elucidam muito sobre a espiritualidade e sociedade celta. Alguns textos-chave são “O Livro das Invasões da Irlanda”, “O Roubo do Gado de Cooley”, “A Cartilha do Sábio”, “A Batalha de Moytura”, entre outros.

     Os mitos também são tidos como um tipo de explicação para os mistérios da religiosidade. No caso dos celtas, vemos que as lendas celebram a imortalidade e assim encorajam a força de uma sociedade guerreira. A certeza da imortalidade fez dos celtas guerreiros destemidos. As constantes visitas ao Outro Mundo nas lendas refletem os costumes de ritos de transição, como também a celebração da ciclicidade da Natureza, bastante presente nessa sociedade que se baseava na passagem das estações do ano, tanto na vida diária, como na religião. Na verdade, os celtas pouco separavam a religião do dia-a-dia, pelo contrário: um fazia parte indivisível do outro.

     A mitologia celta vivia tão entrelaçada ao cotidiano do povo que, mesmo com a chegada do cristianismo, foi impossível sua destruição. O que ocorreu foi que o cristianismo acabou por incorporar os mitos. O deus único cristão teve de dividir a adoração com inúmeros santos, alguns deles deuses pagãos cristianizados, outros antigos druidas santificados. O exemplo mais conhecido dessa “incorporação” é a história de Santa Brígida que entre os celtas pagãos era a deusa Brighid da tríplice chama, uma tuatha dé danann. Até hoje é mantido aceso no santuário de Santa Brígida um fogo sagrado, cuidado por freiras. O culto a essa deusa em terras irlandesas era tão poderoso e forte que foi inviável abafá-lo e ele sobrevive até os dias de hoje na forma da santa com seu fogo sagrado que jamais se apaga.

       Os druidas eram a classe sacerdotal da sociedade celta, eram professores, médicos, juízes, advinhos e conselheiros dos reis e rainhas. Sabemos que nem todas as tribos celtas possuíam um druida ou seguiam o druidismo como religião, mas certamente as tribos da maioria do mundo celta tinham um druida como conselheiro, médico, juiz e sacerdote e, como religião, professavam o druidismo.

       A importância dos druidas na sociedade celta era tal que deles dependiam as ações e decisões dos reis e rainhas. Oriundos de diversas camadas sociais, jovens celtas de ambos os sexos eram enviados a diversos colégios druídicos – o mais famoso deles na Ilha de Môn, atual Ilha de Anglesey - para serem instruídos pelos druidas mais experientes. Eram muitos anos de aprendizado, após os quais os druidas deveriam ser capazes de costurar acordos de paz entre tribos celtas rivais, julgar disputas pessoais e tribais, transmitir oralmente as lendas e a história de seu povo e valer-se de suas habilidades poéticas para enaltecer seus reis e heróis. Sua autoridade era fruto de sua profunda sabedoria. Eram grandes conhecedores das propriedades curativas das plantas, zelavam pela preservação do meio ambiente e aconselhavam seus líderes em momentos de crise. Um desses momentos foi a invasão da Gália pelas legiões romanas. Ciente do poder que os druidas exerciam na sociedade celta, o líder romano Júlio César, em sua luta para conquistar a Gália, sabia que qualquer conquista só seria definitiva se os druidas fossem eliminados. Ele promoveu então violenta perseguição aos druidas, que culminou com o massacre de homens, mulheres e crianças na ilha de Môn, no litoral do País de Gales – um centro de ensino druídico. Esse foi um duro golpe para o druidismo e para toda a cultura celta, agora quase totalmente submetida ao domínio imperialista de Roma.

      Embora não haja consenso entre os estudiosos sobre a origem etimológica da palavra, druida parece provir de oak (carvalho) e wid (raiz indo-européia que significa saber). Assim, druida significaria aquele que tem o conhecimento do carvalho. O carvalho, nesta acepção, por ser uma das mais antigas e destacadas árvores de uma floresta, representa simbolicamente todas as demais. Ou seja, quem tem o conhecimento do carvalho possui o saber de todas as árvores.

      A visão tradicional mostra os druidas como sacerdotes, apresentam na qualidade de filósofos. Se levarmos em conta que o druidismo era uma religião natural, da terra baseada no animismo, e não uma religião revelada, os druidas assumem então o papel de diretores espirituais do ritual, conduzindo a realização dos ritos, e não de mediadores entre os deuses e o homem.

      A sabedoria druídica era composta de um vasto número de versos aprendidos de cor e conta-se que eram necessários cerca de 20 anos para que se completasse o ciclo de estudos dos aspirantes a druidas. Pode ter havido um centro de ensino druídico na ilha de Anglesey (Ynis Mon, em galês), mas nada se sabe sobre o que era ensinado ali. De sua literatura oral nada restou, sequer em tradução. Mesmo as lendas consideradas druídicas chegaram até nós através do prisma da interpretação cristã, o que torna difícil determinar o sentido original das mesmas.

       As tradições que ainda existem do que poderiam ter sido suas práticas religiosas foram conservadas no meio rural e incluem a observância do Halloween (Samhaim), rituais de colheita, plantas e animais que trazem boa ou má sorte e coisas do gênero. Todavia, mesmo tais tradições podem ter sido influenciadas pela cultura de povos vizinhos.

      O primeiro Imperador romano a lutar contra os druidas foi Augusto, que impediu os druidas de obter a cidadania romana. Em seguida, Tibério baixou um decreto proibindo os druidas de exercerem suas atividades e finalmente Cláudio, em 54 d.C., extinguiu a classe sacerdotal. Certo mesmo é que, 300 anos mais tarde, os druidas ainda continuavam a ser citados por autores como Ausonio, Amiano Marcelino e Cirilo de Alexandria, como uma classe social e religiosa de extrema importância e respeitabilidade.

      Mesmo que eles fossem herdeiros diretos da cultura megalítica que construiu Stonehenge, isso significaria apenas um conhecimento mais elaborado dos ciclos lunares e solares e não a sofisticação da astronomia praticada pelos babilônios e egípcios.

     Finalmente, recentes trabalhos de arqueologia da professora Miranda Aldhouse-Green da Universidade de Cardiff confirmam os autores clássicos e demonstram a participação crucial dos druidas na realização de sacrifícios humanos.

     O Druidismo é o termo usado hoje em dia para designar a religião praticada pelos neodruidas, isto é, aqueles que através de estudos profundos da história e arqueologia, buscam resgatar a religião dos druidas pré-cristãos e adaptá-la para os dias de hoje.

      Originalmente associado às tradições dos celtas - povo de origem indo-européia que habitava extensas áreas da Europa pré-romana -, o druidismo é um caminho espiritual de natureza pagã. O termo “pagão” tem origem no vocábulo latino “paganus”, que era usado para designar alguém que nasce no “pagus” (o campo, a Natureza). Em termos espirituais, portanto, pagão é aquele que acredita na sacralidade da Natureza e de todas as formas de vida. Exemplos de povos pagãos da antigüidade são os gregos, os egípcios, os sumérios, os germânicos e os persas - todos com diversas deidades em seus panteões associadas à Natureza, com deuses e deusas que personificavam as grandes forças naturais do mundo em que vivemos.

      Um druida deveria ser tão versado nas leis de seu povo quanto hábil em contar os mitos e lendas que formaram aquele povo. Um druida deveria ser sábio o bastante para aconselhar os reis, como também deveria ser sensível o bastante para praticar a cura, um elemento fundamental dos deveres dos druidas.

      Certamente as práticas do druidismo moderno são muito diferentes das dos druidas históricos, pois vivemos em outros tempos, com outras necessidades. Essa é uma das vantagens de uma tradição oral. Ao contrário de religiões que têm como base textos sagrados imutáveis, o druidismo não fica limitado a escrituras ou leis, mas sabe evoluir com o passar dos séculos, sendo sempre algo novo, significativo e capaz de satisfazer os anseios de quem segue este caminho.

      Como tudo no universo celta era tripartido (3 mundos – de cima, do meio e de baixo; 3 reinos – terra, água e ar; etc) também eram tripartidas as funções do druida. Embora não fossem uma hierarquia, essas três funções eram aprendidas na ordem exibida no título. Depois disso, o druida tinha como opção exercer uma delas em especial.

     Os bardos: eram os druidas especializados na absorção e transmissão do conhecimento druídico, através dos mitos, lendas, poemas e canções que transmitiam a memória ancestral. Os bardos eram os zeladores da tradição e da memória da tribo.

     Os ovates: palavra com a mesma origem do verbo português “vaticinar” (predizer, prenunciar, adivinhar). Eram os responsáveis pela cura e pela previsão de eventos futuros. Através de técnicas divinatórias (divinar = conversar com o divino, com os deuses) como o ogham, por exemplo, os ovates eram capazes de antever eventos ou endências futuras, orientando assim a comunidade. Eram xamãs por excelência, que conversavam com os ancestrais para pedir bênçãos e conselhos, que conheciam os animais e os segredos das ervas e das árvores.

      Os druidas: esse nome significa “aquele que tem a sabedoria do carvalho”. Eles eram os sábios, os sacerdotes que conduziam os rituais, os conselheiros dos reis e os juristas das tribos. Seus “templos” eram as clareiras nos bosques sagrados (nemetons). Eram extremamente respeitados pelo povo e muitas vezes suas palavras tinham mais peso do que dos reis e rainhas.

     Portanto, a função do bardo é conhecer sua história e suas lendas para transmiti-las aos demais. Sua matéria-prima é o passado, a experiência, a memória ancestral. Já o ovate trabalha com o futuro, o potencial, o porvir. São duas facetas do mesmo conhecimento sagrado que permeia os mistérios do tempo e permite, com base na experiência do passado e das potencialidades do futuro, criar um presente melhor, que é a função do druida.

       O símbolo da awen foi inventado pelo gênio e, ao mesmo tempo, “charlatão” da história do druidismo do século 19, Iolo Morganwg, como uma expressão do poder da awen, a essência do druidismo. Mais comumente desenhado com 3 círculos com 3 linhas embaixo, ele pode ser entendido como o Sol em 3 pontos: dos equinócios (o círculo do meio), do solstício de inverno (círculo à esquerda) e do solstício de verão (círculo à direita), e os 3 raios (linhas) são entendidos como os dons do Sol: os raios de luz, de calor, de inspiração, indicando um simbolismo de conhecimento, de guia, de sabedoria. Os círculos podem também ser entendidos como as 3 gotas de inspiração da lenda galesa de Cerridwen.

      Quando o cristianismo chegou à Irlanda, logo se fundiu ao druidismo que lá ainda existia. O resultado foi o chamado Cristianismo Celta – mais místico, mais profundo e mais filosófico do que o cristianismo de Roma. Na Idade Média, contudo, o poder e a intolerância dos papas não pôde mais suportar as diferenças e a independência do cristianismo irlandês. Foi imposto então, através da força, o cristianismo ortodoxo romano, que sufocou quase que por completo a ancestral sabedoria dos druidas celtas.

      Depois de enfrentar o imperialismo conquistador de Roma e a intolerância da igreja, o druidismo adormeceu por séculos, vindo a despertar em 1717, quando o irlandês John Toland, juntamente com o inglês John Aubrey, fundou a Druid Order. Esta é a primeira de muitas ordens druídicas a surgir nessa época. O tema atraiu tanto interesse que, décadas mais tarde, nomes de peso da literatura inglesa, como William Blake e posteriormente W.B. Yeats contribuíram de forma determinante para o ressurgimento do druidismo.

      Em 1781, surge a Ancient Order of Druids (AOD), outra ordem que apostava na mesma fórmula cristianismo/druidismo/ ocultismo. Seu fundador, Henry Hurle, inspirou-se claramente na maçonaria para desenvolver a AOD. Ela ainda existe e conta atualmente com cerca de 3000 membros na Grã-Bretanha.

       Mas a principal personagem do renascimento druídico do séc. XVIII ainda estava por aparecer. Edward Williams era um galês apaixonado pela cultura celta e possuidor de um profundo senso patriótico e fazia de tudo para dar ao povo galês uma identidade que contrastasse com a cultura imposta pelos ingleses. Tudo mesmo - até forjar textos e tradições na tentativa de provar uma autenticidade celta em suas criações. Williams ganhou notoriedade quando, em 1792, realizou um ritual de inauguração de sua Gorsedd (assembléia de druidas) em plena Londres. A partir dali, Williams seria mais conhecido por sua alcunha: Iolo Morganwg. Ele instilou nas diversas ordens druídicas de então o desejo de resgatar as tradições originais dos druidas celtas, o que despertou interesse para as pesquisas arqueológicas.

       Os avanços das descobertas arqueológicas e antropológicas dos séculos XIX e XX trouxeram um novo fôlego a muitas dessas ordens que, amparadas nessas descobertas, conseguiram resgatar os elementos do druidismo histórico. É graças a essa nova postura, mais séria e responsável, que em 1964 surgiu a Order of Bards, Ovates and Druids (OBOD). Resgatando o druidismo celta e livrando-o de elementos estranhos (influências hindus e cristãs), seu fundador, Ross Nichols, foi instrumental para a consolidação do druidismo moderno. Na década de 70, uma ordem irmã, a British Druid Order (BDO), foi fundada por Phillip Shallcrass. Não demorou para ele dividir a liderança da BDO com uma carismática jovem druidesa chamada Emma Restall Orr, autora dos principais livros sobre druidismo da atualidade.

        A ordem cresceu mundialmente, com druidas afiliados nos quatro cantos do mundo. Emma fazia freqüentes viagens a diversos países para dar palestras, cursos e iniciações, e como o druidismo parecia crescer cada vez mais fora da Grã-Bretanha, ela decidiu, em maio de 2003, fortalecer o contato com outros países e ampliar as atividades mundialmente. Para isso, ela criou a DruidNetwork, uma organização para unir grupos e indivíduos que sigam práticas druídicas – a DruidNetwork não é uma ordem ou grove.

       Em 2002, a convite da editora Hi-Brasil e da Hera Mágica Cultural, Emma veio ao Brasil para apresentar seu trabalho em um workshop e uma série de eventos. Pela primeira vez, o público brasileiro teve acesso direto a uma das principais lideranças do druidismo. Atualmente, o escritor Claudio Quintino, um dos representantes da DruidNetwork no Brasil, dá continuidade a esse trabalho através de workshops, palestras, textos e artigos que apresentam o druidismo, suas características e sua profunda validade a mais e mais interessados.

        Muitos associam o kardecismo ao druidismo. Não existe, porém, nenhuma relação entre essas duas correntes religiosas. Ao criar o espiritismo, Denizard Hypolyte Leon Rivail decidiu adotar o nome Alan Kardec para permanecer no anonimato, uma vez que ele era um conhecido professor e filósofo. Um dos espíritos que transmitia informações sobre a doutrina espírita, teria dito ao mesmo que este era a reencarnações de um sacerdote druida, na Gália pré-romana.

        Vale sempre lembrar aqui que os celtas não eram reencarnacionistas como o são os kardecistas. Para os celtas, a alma era imortal e podia ou não viver muitas vidas. Imperava o livre-arbítrio, mas não havia carma, recompensas ou punições como no moderno kardecismo. O livre-arbítrio possibilitava à alma celta a opção de ir viver no Outro Mundo ao lado de seus ancestrais e seus deuses para sempre, ou voltar ao nosso mundo, não para cumprir alguma tarefa, ou pagar algumam dívida, mas para viver algo que ainda não havia sido vivido, para experimentar, conhecer, vivenciar, enfim.

    Para os celtas, era a ordem natural das coisas e nenhum deus ou deusa interferia nisso. A vontade da alma era o que regia o que lhe acontecia depois da morte. Voltar a habitar um corpo não era uma necessidade e nem uma obrigação para evoluir – não havia o conceito de evolução espiritual para eles, mas sim, uma opção.

    O druidismo é uma religião politeísta e seus deuses e deusas não possuem hierarquias ou conceitos de dominância tal qual na mitologia grega, por exemplo. Tampouco possuem um único atributo, como "o deus da guerra" ou "a deusa do amor". Os deuses dos diversos panteões celtas têm múltiplas faces, atributos e características.

     Nenhum deles é totalmente bom ou mau, mas desempenham diversos papéis. Não são apenas bons ou apenas maus, mas possuem tanto potencial para o bem como para o mal. Não há a dicotomia de que estamos acostumados, mas sim o equilíbrio de forças negativas com positivas. Os deuses podem ser ao mesmo tempo benevolentes e cruéis: assim como uma chuva que cai sobre a Terra pode ser uma benção quando os campos estão ressequidos ou então uma desgraça quando causa enchentes e destruição. Como curiosidade, vale observar que muitas deidades associadas à guerra/batalha são femininas, enquanto muitas deidades da fertilidade são masculinas.

      Os druidas não adoram os deuses, procuram desenvolver com eles um relacionamento pessoal baseado em honra, amizade, reconhecimento e laços de hospitalidade, mesmo porque alguns deuses são os ancestrais, ou seja, nossa família. Assim era com os celtas em tempos antigos, assim continua hoje entre os druidas modernos.

       Os celtas não temiam a morte, uma vez que para eles, esta era apenas uma pausa na espiral da vida, um momento de preparo e descanso para um posterior renascimento. Essa crença era também baseada na observação da Natureza, onde o inverno seria o período de recolhimento e descanso para possibilitar a chegada da primavera com vigor e fertilidade. Também temos aí um paralelo com o ciclo do dia: o dia “morre” ao pôr-do-Sol, segue-se um período de descanso na noite para depois o dia renascer pleno ao nascer do Sol.

       No druidismo antigo e moderno, portanto, existe a crença no retorno da alma, que pode viver várias vidas terrenas. O que vai determinar quantas vidas viveremos e de que forma? Não há um julgamento moral quando alguém morre. A percepção, o desejo e a necessidade da alma são os fatores determinantes de como se dará a continuidade da vida.

       Em sua origem, o Halloween não tinha relação com bruxas. Era um festival do calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain, que ia de 30 de outubro a 2 de novembro e marcava o fim do verão (samhain significa literalmente "fim do verão" na língua celta). O fim do verão era o ano-novo dos celtas, uma data sagrada e, nesse período, o véu entre nosso mundo e o mundo dos mortos e dos deuses fica mais tênue. Por isso, o Samhain era comemorado por volta do dia 1.º de novembro, com alegria e homenagens aos que já partiram e aos deuses. Para os celtas, os deuses também eram seus ancestrais, os primeiros de toda árvore genealógica.

        Com a cristianização, essa celebração se dividiu em duas: o Dia de Finados e o Dia de Todos os Santos. O primeiro, comemorado no dia 2, surgiu para homenagear os ancestrais, os mortos. O Dia de Todos os Santos surgiu das homenagens aos deuses do Samhain. As entidades pagãs viraram santos católicos. Foi o que aconteceu com a deusa Brighid, que virou Santa Brígida.

       Entre o pôr-do-sol do dia 31 de outubro e 1.º de novembro, ocorria a noite sagrada que deu origem ao nome atual da festa: Hallow Evening - Hallowe'en - Halloween.
A relação da data com as bruxas começou na Idade Média, na Inquisição, quando a Igreja condenava curandeiras e pagãos. Todos eram designados bruxos. Essa distorção se perpetuou e o Halloween, levado aos Estados Unidos pelos irlandeses no século 19, ficou conhecido como Dia das Bruxas.

       Um ritual simples para a noite de 31/10 é o de acender uma vela numa janela de casa, em homenagem a seus ancestrais, para que eles te inspirem e protejam.

          Muitos grupos se reúnem e meditam em volta de fogueiras para honrar seus mortos e seus deuses, com oferendas como frutas e flores, e terminam a festa compartilhando comida e bebida, música e dança. Uma boa bebida para essa época é o leite quente com mel, servido com pedaços de maçã e polvilhado com canela. Pode-se acrescentar o chocolate, que na época dos celtas não existia, mas que hoje é muito bem vindo!

         Existem inúmeras formas das oferendas serem feitas. Oferendas podem ser colocadas no altar pessoal ou aos pés de uma árvore ou ainda sobre uma pedra. Podem ser queimadas no caldeirão ou na fogueira de um ritual (o fogo é o veículo que transporta oferendas e pedidos ao Outro Mundo). Podem ser jogadas nas águas de um rio, lago ou do mar, ou enterradas num pedaço de terra que seja especial ou represente alguma coisa ao druida.

     Também podem ser entregues de variadas formas. Se vai oferecer alimentos, ervas ou flores pode depositar em algum local especial além de seu altar, como também pode enterrar, como já foi dito. Outra forma é oferecer alimento a alguém que tenha fome, em nome da deidade que você quer honrar. Os alimentos, tanto oferecidos/enterrados num local, como entregues a alguma pessoa, podem ser carne, leite, queijos, bebidas alcoólicas, grãos... Flores secas ou frescas são ótimas oferendas também.

       Uma regra muito importante a ser levada em conta é que a oferenda lançada na Natureza, especialmente se for lançada num rio ou no mar, seja 100% biodegradável e não contenha nada tóxico ao meio-ambiente. Nesses casos, dê preferência a alimentos naturais que possam ser consumidos em poucos dias. Evite alimentos industrializados. E jamais use para esses fins objetos que poluam ou sujem o local. Cuidado também com sementes que possam germinar, fazendo assim nascer alguma planta que seja prejudicial ao local. O equilíbrio entre espécies de plantas num bosque e até mesmo num parque é muito delicado. O ideal é que se use sementes já secas e que servirão apenas como alimento, sem germinar. Caso queira deixar um objeto, um presente, a melhor opção é que ele seja feito de fibras naturais, ou mesmo de gravetos, madeira sem química, pedras, cristais, etc.

         O altar do druida moderno é parte importante da prática do dia-a-dia e deve ser usado sempre, não apenas em rituais. Trabalhar com o altar é bem simples e o objetivo é "dar um tempo" do dia-a-dia para comtemplar a simbologia dele e honrar os seres que estão nele representados. Também serve para criar uma rotina de comunicação, uma interação, estimular uma convivência pacífica para que os guardiões do local nos aceitem e protejam. Você pode meditar diante do altar, fazer orações e tentar se comunicar com deuses, ancestrais e espíritos para obter inspiração e ajuda, mas o básico para todo dia é acender as velas, ficar em silêncio diante dele por um tempo e ao final fazer uma oferenda.

         Sobre os ancestrais, a importância de honrá-los no druidismo vem do óbvio: sem eles não estaríamos aqui. Trabalhar a ancestralidade é trabalhar nossas raízes.

Os Dez Mandamentos

1. Eu sou a Natureza, tua Mãe. Te gerei, te pari, te dou vida. Quando chegar o momento da tua morte, como Pietá eu te receberei de volta no meu seio. Tu me amarás de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento.
2. Nada se pode comparar a mim. Tu não me trocarás por coisa alguma.
3. Aprenderás os nomes dos meus filhos e os amarás. Chamarás pelos seus nomes os animais que andam sobre a terra, as aves que voam no céu, os peixes que nadam nas águas, os insetos e as plantas que vivem no teu caminho. Juntos contigo eles cantam a grande sinfonia da vida que faz pulsar o universo.
4. Os animais e as plantas não são objetos insensíveis à mercê dos teus caprichos. Eles amam a vida tanto quanto os homens e sofrem quando estão morrendo. Plantas e animais são nossos companheiros nesse mundo maravilhoso. Se eles desaparecerem o homem ficará numa solidão sem remédio. Antes de serem objetos de uso, eles são presenças de alegria.
5. Tu me honrarás e protegerás para que os teus dias sobre a terra se prolonguem.
6. Não matarás. Toda a vida será sagrada. A reverência pela vida será o teu valor espiritual supremo. Uma coisa apenas se pode matar: o tempo.
7. Não deixarás sobre mim teus dejetos e detritos mal cheirosos e venenosos. Os campos, as matas, os rios, os mares, são o meu corpo. Cuidarás para que permaneçam puros e limpos. Uma coisa apenas pode deixar sobre minha pele: as marcas da tua passagem atenciosa.
8. Não furtarás. Somente tirarás da natureza as coisas necessárias à tua sobrevivência. Jamais tirarás qualquer coisa para satisfazer a tua ambição.
9. Tu me cantarás como amantes cantam a amada. Sou tua mãe. Te dei a vida. Sou tua amante. Tuas sementes me engravidam. Diante de mim tu serás poeta.
10. De mim nada cobiçarás. Tu não me podes possuir porque não possuis nem mesmo o teu próprio corpo. A brisa fresca, as águas cristalinas, o céu azul, o zumbir dos insetos, a sombra das árvores, o perfume das plantas - nada disso pertence a quem quer que seja. São minhas dádivas gratuitas a todos os seres vivos.

Este artigo e uma compilação de Textos da “Wikipédia a Enciclopédia Livre” e do “Druidismo Brasil”. Clique no Banner e Saiba Mais!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

História do Carnaval

     Considerado uma das festas populares mais animadas e representativas do mundo. Originou na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C.. Através dessa festa os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Em Roma, em Glória ao deus Saturno, comemoravam-se as Saturnais. No Egito era direcionado a Deusa Isis. Posteriormente inseriram bebidas e práticas sexuais na festa.

     A comemoração era de tamanha importância que tribunais e escolas fechavam as portas durante o evento, escravos eram alforriados, as pessoas saíam às ruas para dançar. A euforia era geral. Na abertura dessas festas ao deus Saturno, carros buscando semelhança a navios saíam na "avenida", com homens e mulheres nus. Estes eram chamados os carrum navalis. Alguns historiadores acreditam que da surgiu à expressão carnevale. Outros consideram o termo originário pelo "adeus à carne" ou "carne vale" supostamente dando origem ao termo "Carnaval".

     Com o passar do tempo, o carnaval passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica, o que ocorreu de fato em 590 d.C. Até então, o carnaval era uma festa condenada pela Igreja por suas realizações em canto e dança que aos olhos cristãos eram atos pecaminosos. As pessoas jogavam uma nas outras, água, ovos e farinha. O entrudo acontecia num período anterior à quaresma e, portanto, tinha um significado ligado à liberdade.

      Em 1545, durante o Concílio de Trento, o carnaval voltou a ser uma festa popular. Em aproximadamente 1723, o carnaval chegou ao Brasil sob influência europeia. Ocorria através de desfiles de pessoas fantasiadas e mascaradas. Somente no século XIX que os blocos carnavalescos surgiram com carros decorados e pessoas fantasiadas da forma semelhante à de hoje.

     A festa carnavalesca surgiu a partir da implantação, no século XI, da Semana Santa pela Igreja Católica, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a reunião de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta-feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma. A palavra "carnaval" está, desse modo, relacionada com a idéia de "afastamento" dos prazeres da carne.

     Em geral, o Carnaval tem a duração de três dias, os dias que antecedem a Quarta-feira de Cinzas. Em contraste com a Quaresma, tempo de penitência e privação, estes dias são chamados "gordos". Nos Estados Unidos, o termo “mardi gras” é sinônimo de Carnaval.

     No período do Renascimento as festas que aconteciam nos dias de carnaval incorporaram os bailes de máscaras, com suas ricas fantasias e os carros alegóricos. Ao caráter de festa popular e desorganizada juntaram-se outros tipos de comemoração e progressivamente a festa foi tomando o formato atual.

     O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX. A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspirariam no Carnaval parisiense para implantar suas novas festas carnavalescas.

     A festa foi grandemente adotada pela população brasileira, o que tornou o carnaval uma das maiores comemorações do país. As famosas marchinhas carnavalescas foram acrescentadas, assim a festa cresceu em quantidade de participantes e em qualidade.

      O entrudo chegou ao Brasil por volta do século XVII e foi influenciado pelas festas carnavalescas que aconteciam na Europa. Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnavalescos usavam máscaras e fantasias. Personagens como a colombina, o pierrô e o Rei Momo também foram incorporados ao carnaval brasileiro, embora sejam de origem européia.

      No Brasil, no final do século XIX, começam a aparecer os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os famosos "corsos". As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades.

      O carnaval de rua manteve suas tradições originais na região Nordeste do Brasil. Em cidades como Recife e Olinda, as pessoas saem às ruas durante o carnaval no ritmo do frevo e do maracatu. Os desfiles de bonecos gigantes, em Recife, são uma das principais atrações desta cidade durante o carnaval. Na cidade de Salvador, existem os trios elétricos, embalados por músicas dançantes de cantores e grupos típicos da região.

       Durante a década de 1917, foi gravado em disco "Pelo Telefone", considerado o primeiro samba. A canção tem a autoria reivindicada por Ernesto dos Santos, o Donga, com co-autoria atribuída a Mauro de Almeida. Na verdade, "Pelo Telefone" era uma criação coletiva de músicos que participavam das festas da casa de Tia Ciata, mas acabou registrada por estes na Biblioteca Nacional.

        Avó do compositor Bucy Moreira, Tia Ciata foi uma das responsáveis pela sedimentação do samba carioca. Segundo o folclore de época, para que um samba alcançasse sucesso, ele teria que passar pela casa de Tia Ciata e ser aprovado nas rodas de samba das festas, que chegavam a durar dias.

        Existem várias versões acerca do nascimento do termo "samba". Uma delas afirma ser originário do termo "Zambra" ou "Zamba", oriundo da língua árabe, tendo nascido mais precisamente quando da invasão dos mouros à Península Ibérica no século VIII. Outra diz que é originário de um das muitas línguas africanas, possivelmente do quimbundo, onde "sam" significa "dar", e "ba" "receber" ou "coisa que cai".

       A especulação imobiliária se espalhava pela cidade do Rio de Janeiro e formava diversos morros e favelas no cenário urbano carioca, que seriam o celeiro de novos talentos musicais. Quase simultaneamente, o "samba carioca" nascido no centro da cidade iria galgar as encostas dos morros e se alastrar pela periferia afora, a ponto de, com o tempo, ser identificado como samba de morro.

       No final da década de 1920, nasceu o samba dos blocos carnavalescos dos bairros do Estácio de Sá e Osvaldo Cruz, e dos morros da Mangueira, Salgueiro e São Carlos, que faria inovações rítmicas no samba que perduram até os dias atuais. Deste grupo, se destacaria a chamada "Turma do Estácio".

      A primeira escola de samba surgiu no Rio de Janeiro e chamava-se Deixa Falar. Criada pelo sambista carioca Ismael Silva. Anos mais tarde a Deixa Falar transformou-se na escola de samba Estácio de Sá. A partir dai o carnaval de rua começa a ganhar um novo formato. Organizadas em Ligas de Escolas de Samba, começam os primeiros campeonatos para verificar qual escola de samba era mais bonita e animada.

      Inicialmente o samba não tinha enredo, Getúlio Vargas obrigou a criação de enredo sobre a história oficial do Brasil, para o desenvolvimento da apresentação da escola de samba. Mas a ideologia do Estado Novo contaminava o cenário do samba. Da malandragem convertido de "O Bonde São Januário" (de Ataulfo Alves e Wilson Batista) chegou-se a "Aquarela do Brasil" (de Ary Barroso), gravada por Francisco Alves em 1939. A canção foi o carro-chefe do samba-exaltação e primeiro sucesso brasileiro no exterior.

      No início da década de 1960 foi criado o "Movimento de Revitalização do Samba de Raiz", promovido pelo Centro Popular de Cultura, em parceria com a União Nacional dos Estudantes. Foi o tempo do aparecimento do bar Zicartola, dos espetáculos de samba no Teatro de Arena e no Teatro Santa Rosa e de musicais como "Rosa de Ouro". Produzido por Hermínio Bello de Carvalho. Depois de um período de esquecimento onde as rádios eram dominadas pela Disco Music e pelo rock brasileiro, o samba consolidou sua posição no mercado fonográfico na década de 1980.

     Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, o sambódromo da Marquês de Sapucaí no Rio de Janeiro. Implantado durante o primeiro governo de Leonel Brizola, serviu de expiração para construções similares no país, entre elas o Bumbódromo de Manaus , no Amazonas, e o "Sambódromo do Anhembi" em São Paulo.

      A estrutura, em peças pré-moldadas de concreto, possui 700 metros de comprimento e capacidade para 88.500 pessoas. Foi inaugurada em 1984, marcou o início do sistema de desfiles das escolas de samba em duas noites, tendo as escolas Mangueira e Portela arrebatado o público presente, sagrando-se, respectivamente, supercampeã e campeã naquele ano.

      Em 1995, o compositor Marquinhos de Oswaldo Cruz reorganizou o "Pagode do Trem", fazendo com que o evento entrasse para o calendário turístico da cidade do Rio de Janeiro, sendo apresentado no Dia Nacional do Samba, em 2 de dezembro. O "Pagode no Trem" era inspirado nos encontros organizados por Paulo da Portela com sambistas de Madureira e Osvaldo Cruz, subúrbios do Rio de Janeiro, durante a década de 1930. Após um dia de trabalho, estes sambistas voltavam para Oswaldo Cruz no trem do início da noite e, em um desses vagões, organizavam reuniões e discutiam a organização do carnaval, sempre com muito samba.

Obs.: Fotos do Arquivo de Karla Moreno.