domingo, 20 de junho de 2010

Devemos aprender a preservar

     Como não poderia deixar de ser a noticia da possível demolição da fachada da primeira Igreja de Santo Antonio, localizado a Rua José de Alvarenga no Centro de Duque de Caxias. Causou forte impacto no meio intelectual do município e seus vizinhos. O Sr Paulo Clarindo, representando os “Amigos do Patrimônio Cultural” – Grupo que reúne professores e pesquisadores de história. Realizou contato por e-mail solicitando a utilização do texto deste blog, para um pedido de tombamento enviado a Secretaria de Cultura de Duque de Caxias aos cuidados da secretária Ana Lúcia Fernandes Jensen.

     Acesse: http://www.amigosdopatrimoniocultural.blogspot.com/ para conhecer melhor as propostas do grupo. O Jornalista Alberto Marques, também utilizou seus espaços para propagar nossa mensagem. Enviando e-mails, publicando em seu blog: http://www.albertomarques.blogspot.com/ e em sua coluna "Em Foco" no Jornal Municipal, conforme mostra a foto abaixo.

      As pessoas têm perguntado qual a vantagem de se preserva uma obra sem beleza arquitetônica? Simplesmente depende de quem esta admirando a construção. Sinceramente acredito que o problema esta no despreparo educacional e cultura, ate por que muito não reconhecem a necessidade da preservação histórica e outros colocam em primeiro lugar princípios religiosos.

      Por sinal, este não e um fato novo. Lembro quando comecei a pesquisar Joãosinho da Goméa, constantemente questionavam a opção sexual, religiosa e sua raça. Quem saiu perdendo com isso o município, sem contar nas fabricas que foram demolidas. Não me lembro de nenhuma manifestação, contra a transformação da antiga fabrica de Açúcar Perola em um Mercado no Centenário. Muito menos em uma punição para a demolição da “Fabrica de Tecido União” no Corte Oito.


     Deveriam existir leis mais severas! Pois o que ocorre após a destruição? Nada, basta aguarda alguns anos e começar a construção do que se deseja correto? Deveríamos nos preocupar em salvar o que esta de pé; Fortaleça do Tenório, Primeira Câmara dos vereadores, Primeira Prefeitura, Casa de Jararaca e Ratinho, O que sobrou da Goméia entre outras. Devemos reconhecer que apesar da descaracterização, o prédio da Igreja Santa Terezinha só esta de pé por causa das obras realizadas.

     Qual seria a solução? Se alguém derrubou, manda reconstruir como era antes. Pode ate não ter o mesmo valor histórico, mais pelou menos será lembrado e a punição vai pesar no bolso. Sou apenas um pesquisador, cheguei ate ser criticado por alguns historiadores. Mesmo assim realizo pesquisas serias, procuro avaliar os fatos e reunir arquivos que validem minhas teses.

     Por causa de alguns historiadores despreparados, muitos ainda insistem em dizer que o casarão do Bairro Pantanal pertencia a Marquesa de Santos. Dizem também que o mesmo foi demolido a mando de Tenório Cavalcante para construção da Chácara, fato que não e verdade. Afinal esta foi construída pelo General Manoel Rabelo e vendida pronta ao Homem da Capa Preta.

     Quando a mudança do endereço do colégio São Francisco de Assis, “acredito” que o motivo seja a necessidade de um espaço maior, procurando melhorar a qualidade no processo ensino aprendizagem. Ou talvez pelas constantes confusões causadas por alunos de outras instituições na frente do mesmo, sua localização vem servindo como ponto de encontros por vários motivos.

     Voltando ao nosso ponto principal, antes que eu perca o foco do artigo. Como manter a fachada da igreja? Basta “rasgar” parte das paredes, construindo colunas de concreto. Desta forma e possível levantar um prédio, sem perde à arquitetura original. Não e isso que vem sendo feito no centro do Rio a anos?

     A parte interna não mantém sua originalidade, mas a fachada foi mantida pelo colégio. Pesquisei a história de algumas fabricas do Rio de Janeiro, que foram reformadas para abrigar outros estabelecimentos sem perde sua arquitetura original.


     A Companhia de Fiação e Tecidos Confiança Industrial foi fundada em 22 de abril 1885. A fábrica que se encontra na Rua Maxwell em Vila Isabel, foi fechada em 1964 e hoje abriga o supermercado Extra Boulevard. A fábrica e o casario em frente e no entorno da mesma fazem parte da área de proteção do ambiente cultural, desde 1993, através da lei nº 2.038, de 19 de novembro.


     No dia 06 de Fevereiro de 1889 foi constituída a Fábrica de Tecidos Bangu, com o nome de Companhia Progresso Industrial do Brasil. No dia 08 de março de 1893 a Fábrica foi inaugurada. Após seu fechamento serviu como locação para filmagens do filme Olga. Em 30 de outubro de 2007, foi inaugurado o shopping Bangu.


     Inaugurada em Del Castilho no ano de 1925 a Companhia de Tecidos Nova América foi desativada em 1991, sendo transferida para a unidade de Fonte Limpa em Duque de Caxias. Em 1995, surge o Shopping Nova América, com 239 lojas, um campus universitário e um Centro Empresarial com 154 salas.

     Em uma de minhas excursões solitárias a cemitérios, adquirir o sombrio habito de fotografar sepulturas. Não pude deixar de nota placas de lojas especializadas em mármore, estas doam a pedra para enfeitar sepultura de pessoas famosas. Por que então não colocar placas de mármore contado a história de certos locais e construções, com certeza sai mais barato do que bronze e ninguém vai querer roubar. Será que alguma marmoraria se candidata a doação? Realmente devemos aprender a preservar, com certeza repetimos ditados tão antigos que não paramos para pensar. “Dizem que quem vive de passado e museu” mais este ditado e mais velho que minha avó.