terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

História do povo cigano

     O povo cigano também conhecido como Rom teve sua origem supostamente na Índia, como estratégias de proteção utilizaram lendas envolvendo mistérios e teoria. O idioma falado e o Romani também conhecido como romanes , muito similar ao panjabi o ao híndi ocidental.

      Com o passar do tempo, apareceram teorias populares sobre a origem cigana; Descendentes de Caim, magos caldeus da Síria, a tribo de Israel fugida do Egito faraônico, inclusive uma antiga lenda balcânica nos transforma em ladrões dos pregos da cruz de Cristo.

     Alguns pesquisadores baseados no relato de Mahmud de Ghazni, informando sobre 50 mil prisioneiros durante a invasão turco-persa do Sindh e do Punjab. Acreditam que os mulçumanos escravizaram o povo cigano.

     O que é aceite pela maioria dos investigadores é que os ciganos poderiam abandonar a Índia em torno do ano 1000, e atravessar o que agora é o Afeganistão, Irã, Armênia e Turquia. Vários povos similares aos ciganos vivem hoje em dia na Índia, aparentemente originários do estado desértico de Rajastão, e à sua vez, povoações ciganas reconhecidas como tais pelos próprios roma vivem, todavia, no Irã, com o nome de lúrios.

      Partiram em direção à Pérsia onde se dividiram em dois ramos: o primeiro, que tomou rumo oeste, atingiu a Europa através da Grécia; o segundo partiu para o sul, chegando à Síria, Egito e Palestina. No século XII, os ciganos enfrentaram o avanço dos muçulmanos, que tentaram impor sua religião na Índia, e lutaram contra os Sarracenos por muitos séculos, inclusive durante a Idade Média.

    As viagens eram realizadas em grupos variados, de 80 a 150 pessoas, lideradas por um homem. Cada grupo autônomo mantinha relações à distância com algum dos outros, existindo talvez relações de parentesco. A estratégia de sobrevivência mais comum era a de apresentar-se como peregrinos cristãos para buscar a proteção de um nobre. O lucro vinha através das adivinhações e espetáculos.

     A partir do final do século XVI, sucederam-se em toda a Europa autorizações, leis e decretos contra o modo de vida dos ciganos. Mais como chegaram as Américas? Em 1498, Cristóvão Colombo trouxe três ciganos. A Inglaterra e a Escócia enviaram remessas de ciganos às suas colônias americanas da Virgínia, no século XVII e Luisiana. A prática da deportação à América foi seguida nesse mesmo século por Portugal. Os ciganos espanhóis só podiam viajar à América com permissão expressa do Rei. Filipe I decretou em 1570 uma proibição de entrada dos ciganos na América, e ordenou o regresso dos já enviados. É conhecido o caso de um ferreiro cigano que conseguiu autorização para viajar à Cuba em 1602.

     À medida que se aproxima a Segunda Guerra Mundial, a perseguição fica mais dura. O governo prussiano, por exemplo, decidiu acabar com a "moléstia cigana" mediante um acordo internacional desenhado para acabar com a sua forma de vida. Na Baviera, foi elaborado em 1905 um "Livro cigano", com um censo inicial de 3 mil indivíduos que logo aumentaria com a colaboração de outros estados germânicos. O estado da Baviera autorizou o castigo a trabalhos forçados a todo cigano que não pudesse demonstrar ter um trabalho estável, e a República de Weimar estendeu essa medida a toda Alemanha. Em 1926, começou o costume de sequestrar meninos ciganos para serem educados entre não ciganos, prática que só seria abandonada em 1973.

       Com a queda do muro de Berlim em 1989, a Alemanha deportou em 1990 milhares de imigrantes à Europa Central e Oriental. De acordo com um tratado de 1992, 60% eram ciganos.

       A Segunda Grande Guerra Mundial, e marcada pelo holocausto de judeus. As escolas não ensinam mais neste período ocorreu o holocausto cigano chamado de "porraimos", ou "porajmos", a destruição. Os nazistas assassinaram Judeus, Ciganos, Deficientes, Homossexuais, Socialistas e Testemunhas de Jeová.

      “ Depois dos Judeus, os Ciganos” anunciava o slogan de 1941. Os alemães diziam à comissão que os ciganos se encontravam presos por serem boêmios e vagabundos, não podendo assim transitar junto ao povo alemão. Seus cabelos eram raspados para confecção de meias e cordas para navios.

    Os Nazistas passavam á propaganda dos ciganos serem anti-sociais, desprezando assim seu modo de viver e ser. Na noite de 2 de Agosto de 1944, acontece a mais apavorante noite de Auscwitz “o massacre cigano”. Os ciganos dançavam e cantavam para disfarçar a agonia final e tentar distrair as crianças que choravam.

     Segundo relato do ex-prisoneiro, Wladyslan Szmyt. Os ciganos se defendiam como podiam, mordiam e arranhavam. As crianças eram jogadas em caminhões, se pulassem seus membros eram quebrados braços e pernas para não repetirem o ato.

     O médico chefe do campo das famílias ciganas chegou a Birkenau, no dia 30 de Maio de 1943. Dr. Josef Mengele selecionava pessoas com anomalias e monstruosidades; gêmeos, corcundas, hermafroditas, anões, obesos, gigantes, cabeças de alfinete. Sua enfermeira particular Sara Nuremberg Przytyk os classificavam como; “ Aqueles que não foram criados a imagem de Deus”.

       O Dr. Jan Cespiva Ex-prisoneiro de Auschwitz, testemunhou contra Mengele em 1963. “_ Pude ver com meus próprios olhos como ele infectava gêmeos com tifo na enfermaria do campo dos ciganos, para saber se os gêmeos reagiriam do mesmo modo ou diferentemente, pouco tempo depois eram enviadas as câmaras de gás.”

      Enviado para Auscwitz, o cigano Karl Stojka na época com 14 anos. Sobreviveu ao holocausto e tornou-se pintor, graças ao seu irmão e ao tio que, falaram falsamente que ele era um adulto anão e não uma criança.


      Com o fim da guerra em 1945, a história começou a ser contada. O processo de julgamento de Nuremberg, não contou com testemunhos ciganos pois estes não foram convidados. Myrian Movitch, historiadora do Instituto Yad Vasem foi a pioneira nos estudos relacionados ao holocausto Cigano. Eu copiei quase todas as linhas de pesquisa brasileira, do historiador Rodrigo Gevegir. Para saber mais:Segunda Guerra Mundial.

Congresso Cigano

      O Primeiro Congresso Mundial Cigano ocorreu em Londres, no dia 8 de abril de 1971. Lá, ficou definido o uso de uma bandeira única para todos os roma e a adoção da canção Dgelem Dgelem como hino nacional.

Dgelem, Dgelem

Dgelem, Dgelem lungone dromentsa
Maladjilem bhartalé romentsa
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Naís tumengue shavale
Patshiv dan man romale
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Vi mande sas romni ay shukar shavê
Mudarde mura família
Lê katany ande kale
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Shinde muro ilô
Pagerde mury luma
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Opré Romá
Aven putras nevo dromoro
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)

Tradução em Português: Caminhei, Caminhei

Caminhei, caminhei longas estradas
Encontrei-me com romá (ciganos) de sorte
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos
Obrigado rapazes ciganos
Pela festa louvor que me dão
Eu também tive mulher e filhos bonitos
Mataram minha família
Os soldados de uniforme preto
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos
Cortaram meu coração
Destruíram meu mundo
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos
Pra cima Romá (Ciganos)
Avante vamos abrir novos caminhos
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos!!!

      A bandeira é composta por duas bandas horizontalmente dispostas de azul em cima e verde em baixo representando os céus e a terra, respectivamente. No centro da bandeira, figura uma chakra vermelha, representando a herança indiana do povo rom.

     Santa Sara é a mãe, rainha e padroeira de todos os ciganos do mundo. Seu santuário está localizado na Igreja de Notre Dame de La Mer, na cidade provençal de Saintes-Marie-de-la-Mer, sul da França.

      Conta a história que pelos anos 44 e 45 d.c . Era, Herodes Agrippa perseguiu e condenou um grupo de amigos de Jesus à morte. Em cumprimento da sentença, o grupo de cristãos foi levado ao mar da Palestina e colocado numa barca, sem remos, sem provisões e sem água. Esta frágil embarcação vinda da Terra Santa chega milagrosamente ao sul da atual França, exatamente no campo romano chamado “L´oppidum Râ”.

     Na pequena barca, chegaram Maria Salomé, mãe do apóstolo Tiago, o Maior; Maria Jacobé, prima da Virgem Maria e mãe do apóstolo João; Lázaro e suas irmãs Marta e Maria Madalena, Maximino, Sidônio, o cego de Jericó e Virgem Sara Kali, a escrava negra de Maria Jacobé e Maria Salomé.

      Conta a tradição que a serva Sara se juntou aos cristãos espontaneamente, pois ela não havia sido condenada, embora tivesse se tornado cristã. Quando a barca avançava mar adentro, Sara suplicou que a levassem. Um milagre a fez chegar até o barco: sobre o manto que Maria Salomé atirou sobre as águas para auxiliá-la, Sara caminhou e alcançou a barca. Muitas outras histórias são contada sobre a origem de Santa Sara. Uma delas diz que Sara era uma abadessa egípcia, moradora de Camargue, que apiedou-se dos santos e ajudou-os a construir o primeiro oratório da região. Outra conta que Sara era uma sacerdotisa celta. Também dizem que ela era uma rainha negra de grande poder e outros afirmam ser a filha de Jesus Cristo com Maria Madalena.

     Todos os dias 24 de maio, uma grande multidão de ciganos de todas as partes do mundo, se reúnem na cidadezinha francesa de Saintes-Maries-de-la Mer, às margens do Mediterrâneo, para louvar sua rainha e protetora. Sara, a Negra ou a Kali, é levada pelas ruas da cidade, coberta de mantos de diversas cores, ao som dos violinos e das alegres músicas ciganas. Com ela chegam ao Mar e entram na água para recordar sua história.

Fonte: Os mistérios de Santa Sara – O Retorno da Deusa Pelas Mãos dos Ciganos. Sibyla Rudana


     Filho de pais ciganos espanhóis, Ceferino Giménez Malla, chamado pelo familiares de El Pele, nasceu na Catalunha, Espanha, em 26 de agosto de 1861. Com vinte anos mudou-se para Barbastro e casou segundo as tradições cigana com Teresa Giménez Castro, uma cigana de Lérida. Adotou Pepita, uma sobrinha de Tereza.

      Trabalhou vendendo cestas, alem de cavalos e mulas nas feiras da região. Foi acusado e preso por roubo injustamente, sempre honesto nos negócios logo foi declarado inocente. Pela sua reconhecida prudência e sabedoria, era solicitado pelos camponeses e pelos ciganos para solucionar os conflitos que por vezes surgiam entre eles.

     No início da guerra civil espanhola, foi preso por tentar libertar um Sacerdote que arrastavam pelas ruas para o cárcere. Tinha então setenta e cinco anos de idade, na prisão rezava o Rosário que levou no bolso. Ofereceram-lhe a liberdade se deixasse de rezar, mas preferiu permanecer na prisão.

     Na madrugada de 8 de Agosto de 1936 fuzilaram-no junto ao cemitério de Barbastro.Mesmo sob a mira das armas, Ceferino protestou de cabeça erguida. Todos puderam ouvir seu último grito, brandindo o rosário, seu companheiro, antes do fuzilamento: "Viva Cristo Rei!" Por ordem dos rebeldes, todos os fuzilados foram enterrados numa cova coletiva. Seu corpo nunca pôde ser encontrado.

     Em 1997, numa bela cerimônia solene celebrada pelo papa João Paulo II, em Roma, na presença de milhares de ciganos cristãos do mundo todo, Ceferino Giménez Malla, o l.° Mártir da guerra civil espanhola (1936/39) foi Beatificado por Sua Santidade o Papa João Paulo II no dia 4 de Maio.