quinta-feira, 24 de junho de 2010

A Verdadeira História de Hachiko


     Chu-ken Hachiko (o cachorro fiel Hachiko) nasceu em Odate, na província de Akita, no Japão em novembro de 1923. Em 1924, Hachiko foi enviado a casa de seu futuro proprietário, o Dr. Eisaburo Ueno, um professor do Departamento Agrícola da Universidade de Tóquio. A história dá conta de que o professor ansiava por ter um Akita há anos, e que tão logo recebeu seu almejado cãozinho, deu-lhe o de Hachi, ao que depois passou a chamá-lo carinhosamente pelo diminutivo, Hachiko. Foi uma espécie de ‘amor à primeira vista’, pois, desde então, se tornariam amigos inseparáveis!

     O professor Ueno morava em Shibuya, subúrbio de Tóquio, perto da estação de trem. Como fazia do trem seu meio de transporte diário até o local de trabalho, já era parte integrante da rotina de Hachiko acompanhar seu dono todas as manhãs. Caminhavam juntos o inteiro percurso que ia de casa à estação de Shibuya. Hachiko parecia ter um relógio interno, e sempre às 15 horas retornava à estação para encontrar o professor, que desembarcava do trem das 16 horas, para acompanhá-lo no percurso de volta a casa.

     Em 21 de Maio de 1925, o professor Ueno sofreu um AVC, durante uma reunião do corpo docente na faculdade e morreu. Hachiko, que na época tinha pouco menos de dois anos de idade. No horário previsto, esperava seu dono pacientemente na estação. Naquele dia a espera durou até a madrugada.

     Na noite do velório, Hachiko, que estava no jardim, quebrou as portas de vidro da casa e fez o seu caminho para a sala onde o corpo foi colocado, e passou a noite deitado ao lado de seu mestre, recusando-se a ceder. Outro relato diz que como de costume, quando chegou a hora de colocar vários objetos particularmente amados pelo falecido no caixão com o corpo, Hachiko pulou dentro do mesmo e tentou resistir a todas as tentativas de removê-lo.


     Depois que o professor morreu a Senhora Ueno deu Hachiko para alguns parentes do que morava em Asakusa, no leste de Tóquio. Mas ele fugiu várias vezes e voltou para a casa em Shibuya, um ano se passou e ele ainda não tinha se acostumado à nova casa. Foi dado ao ex-jardineiro da família que conhecia Hachi desde que ele era um filhote. Mas Hachiko continuava a fugir, aparecendo frequentemente em sua antiga casa. Depois de certo tempo, aparentemente Hachiko se deu conta de que o professor Ueno não morava mais ali.

     Todos os dias à estação de Shibuya para esperar seu dono voltar do trabalho, da mesma forma como sempre fazia. Procurava a figura de seu dono entre os passageiros, saindo somente quando as dores da fome o obrigavam. E ele fez isso dia após dia, ano após ano, em meio aos apressados passageiros. Estes começaram passaram então a trazer petiscos e comida para aliviar sua vigília.

     Em 1929, Hachiko contraiu um caso grave de sarna, que quase o matou. Devido aos anos passados nas ruas, ele estava magro e com feridas das brigas com outros cães. Uma de suas orelhas já não se levantava mais, e ele já estava com uma aparência miserável, não parecendo mais com a criatura orgulhosa e forte que tinha sido uma vez.

     Um dos fiéis alunos de Ueno viu o cachorro na estação e o seguiu até a residência dos Kobayashi, onde aprendeu a história da vida de Hachiko. Coincidentemente o aluno era um pesquisador da raça Akita, e logo após seu encontro com o cão, publicou um censo de Akitas no Japão. Na época haviam apenas 30 Akitas puro-sangue restantes no país, incluindo Hachiko da estação de Shibuya. O antigo aluno do Professor Ueno retornou frequentemente para visitar o cachorro e durante muitos anos publicou diversos artigos sobre a marcante lealdade de Hachiko.

     Sua história foi enviada para o Asahi Shinbun, um dos principais jornais do país, que foi publicada em setembro de 1932. O escritor tinha interesse em Hachiko, e prontamente enviou fotografias e detalhes sobre ele para uma revista especializada em cães japoneses. Uma foto de Hachiko tinha também aparecido em uma enciclopédia sobre cães, publicada no exterior. No entanto, quando um grande jornal nacional assumiu a história de Hachiko, todo o povo japonês soube sobre ele e se tornou uma espécie de celebridade, uma sensação nacional. Sua devoção à memória de seu mestre impressionou o povo japonês e se tornou modelo de dedicação à memória da família. Pais e professores usavam Hachiko como exemplo para educar crianças.


     Em 21 de Abril de 1934, uma estátua de bronze de Hachiko, esculpida pelo renomado escultor Teru Ando, foi erguida em frente ao portão de bilheteria da estação de Shibuya, com um poema gravado em um cartaz intitulado "Linhas para um cão leal". A cerimônia de inauguração foi uma grande ocasião, com a participação do neto do professor Ueno e uma multidão de pessoas.

     Hachiko envelheceu, tornou-se muito fraco e sofria de problemas no coração (heartworms). Na madrugada de 8 de março de 1935, com idade de 11 anos e 4 meses, ele deu seu último suspiro no mesmo lugar onde por anos a fio esperou pacientemente por seu dono. A duração total de seu tempo de espera foi de nove anos e dez meses. A morte de Hachiko estampou as primeiras páginas dos principais jornais japoneses, e muitas pessoas ficaram inconsoláveis com a notícia. Um dia de luto foi declarado.


     Seus ossos foram enterrados na sepultura do professor Ueno, no Cemitério Aoyama, Minami-Aoyama, Minato-ku, Tóquio. Sua pele foi empalhado - para conservar-lhe as formas e submetido à substâncias que o isentam de decomposição, e o resultado deste maravilhoso processo de conservação está agora em exibição no Museu Nacional da Ciência do Japão em Ueno. Alguns autores dizem que Hachiko, esta no Museu de Artes de Tóquio.

     Durante a 2ª Guerra Mundial, para aplicar no desenvolvimento de material bélico, todas as estátuas foram confiscadas e derretidas, e, infelizmente, entre elas estava a de Hachiko.


     Em 1948, formou-se a “The Society For Recreating The Hachiko Statue” entidade organizada em prol da recriação da estátua de Hachiko. Tekeshi Ando, o filho de Teru Ando foi contratado para esculpir uma nova estátua. A réplica foi reintegrada no mesmo lugar da estátua original, em uma cerimônia realizada no dia 15 de agosto.


     A estação de Odate, em 1964, recebeu a estátua de um grupo de Akitas. Anos mais tarde, em 1988, também uma réplica da estátua de Hachiko foi colocada próxima a estação. A história de Hachiko atravessa anos, passa de pai para filho, sendo até mesmo ensinada nas escolas japonesas – no início do século para estimular lealdade ao governo, e atualmente, para exemplificar e instilar o respeito e a lealdade aos anciãos.


     Na atualidade, viajantes que passam pela estação de Shibuya podem comprar presentes e recordações do seu cão favorito na Loja localizada no Memorial de Hachiko chamada "Shibuya No Shippo" ou "Tail of Shibuya". Um mosaico colorido de Akitas cobre a parede perto da estação.


     Todos os anos, no dia 8 de março. Ocorre uma cerimônia solene na estação de trem de Shibuya, em Tóquio. São centenas de amantes de cães que se reúnem em homenagem à lealdade e devoção de Hachiko. Ao nascimento de uma criança, a família recebe uma estatueta de Akita como desejo de saúde, felicidade e vida longa. O objeto também é considerado um amuleto de boa sorte. Quando há alguém doente, amigos dão ao enfermo esta estatueta, desejando pronta recuperação.


     Por causa desse zelo, o Akita se tornou Patrimônio Nacional do povo japonês, tendo sido proibida sua exportação. Se algum proprietário não tiver condições financeiras de manter seu cão, o governo japonês assume sua guarda.

Fonte:

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Fisioterapia

     Em sentido amplo, é a ciência que estuda o movimento humano e que utiliza recursos físicos no tratamento e cura. Com o sentido restrito à área de saúde, está voltada para o entendimento da estrutura e mecânica do corpo humano. Ela estuda, diagnostica, previne e trata os distúrbios, entre outros, da biomecânica e funcionalidade humana decorrentes de alterações de órgãos e sistemas humanos.

      Estuda os efeitos benéficos dos recursos físicos e naturais sobre o organismo humano. É a área de atuação do profissional formado em um curso superior de fisioterapia. O fisioterapeuta é capacitado a avaliar, reavaliar, prescrever órteses, próteses, tratamento físico, dar diagnóstico cinesiológio-funcional, prognóstico, intervenção e alta, dentro de sua tipicidade assistencial.

      É administrada em consultórios, clínicas, centros de reabilitação, asilos, escolas, clubes, academias, residências, hospitais, empresas, unidades básicas ou especializadas de saúde, pesquisas, entre outros, tanto por serviços públicos como privados.

      A fisioterapia atua nas mais diferentes áreas com procedimentos, técnicas, metodologias e abordagens específicas que tem o objetivo de avaliar, tratar, minimizar problemas, prevenir e curar as mais variadas disfunções.

     A complexidade da profissão reside na necessidade do entendimento global do ser humano através da Anatomia, Citologia, Fisiologia, Embriologia, Histologia, Biofísica, Biomecânica, Bioquímica, Cinesiologia, Farmacologia, Neurociências; além da Antropologia, Ética, Filosofia, Sociologia, Deontologia, Bioimagem e outras ciências de formação geral. A fisioterapia foi regulamentada oficialmente no Brasil pelo Decreto-Lei nº 938 em 1969 e pela Lei Federal nº 6.316 em 1975.

      Os procedimentos da Fisioterapia contribuem para a prevenção, cura e recuperação da saúde. Para que o fisioterapeuta eleja os procedimentos que serão utilizados, ele terá de proceder à elaboração do diagnóstico Cinesiológico Funcional identificando a abrangência da disfunção, assim como acompanhar a resposta terapêutica aos procedimentos indicados pelo próprio profissional. Eis os mais conhecidos e utilizados recursos fisioterapêuticos:

     Os primeiros cursos de Fisioterapia no Brasil remontam à década de 1950 e a partir dos anos 1960 são primeiramente reconhecidos como superiores na USP, na ABBR (RJ), na FCMMG, na UFPE e na Baiana. Atualmente, estão catalogados 499 cursos em todo o Brasil. A ABENFISIO - Associação Brasileira de Ensino em Fisioterapia é a entidade representativa do segmento e foi fundada durante a realização do 14.º Congresso Brasileiro de Fisioterapia de SALVADOR-BA em 1999, elegendo sua primeira diretoria em abril de 2001, em Santos/SP - Unisanta, durante o 4.°Fórum Nacional de Docentes em Fisioterapia.O curso da ABBR foi comprado pela universidade UNISUAM, assim sendo essa universidade oferece o curso mais antigo do estado do Rio de Janeiro.

sábado, 15 de maio de 2010

Negrinho do Pastoreio, uma lenda do Rio Grande do Sul.

     Muito contada no final do século XIX pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. É muito popular na região Sul do Brasil. A lenda é muito bem descrita por Simões Lopes Neto, no livro Contos Gauchescos & Lendas do Sul.

     No período da escravidão, um fazendeiro muito rico. Seu coração era uma morada de pedra, não nutria qualquer sentimento por ninguém, ao não ser pelo seu filho, um menino tão malvado quanto o pai. Eles dois era extremamente perversos e maltratavam o menino escravo. Este jovenzinho não tinha nome, porque ninguém se deu sequer o trabalho de pensar algum para ele, assim era conhecido como "negrinho".

     A este não deram padrinhos nem nome; por isso o Negrinho se dizia afilhado da Virgem, Nossa Senhora que é a madrinha de quem não a tem. Num dia de inverno, fazia frio de rachar e o fazendeiro mandou que o negrinho de quatorze anos fosse pastorear cavalos e potros que acabara de comprar. No final do tarde, quando o menino voltou, o estancieiro disse que faltava um cavalo baio. Pegou o chicote e deu uma surra tão grande no menino que ele ficou sangrando. "Você vai me dar conta do baio, ou verá o que acontece", disse o malvado patrão. Aflito, ele foi à procura do animal. Em pouco tempo, achou ele pastando. Laçou-o, mas a corda se partiu e o cavalo fugiu de novo.

     Na volta à estância, o patrão, ainda mais irritado, o amarrou pelo pulso. Para dar-lhe uma surra de relho até ele não mais chorar nem bulir, com as carnes recortadas, o sangue vivo escorrendo do corpo... O Negrinho chamou pela Virgem sua madrinha e Senhora Nossa, deu um suspiro triste, que chorou no ar como uma música, e pareceu que morreu... E como já era noite e para não gastar a enxada em fazer uma cova, o estancieiro mandou atirar o corpo do Negrinho na panela de um formigueiro, que era para as formigas devorarem-lhe a carne e o sangue e os ossos... E assanhou bem as formigas; e quando elas raivosas, cobriram todo o corpo do Negrinho e começaram a trincá-lo, é que ele então se foi embora sem olhar para trás. Nessa noite o estancieiro sonhou que era, ele mesmo, mil vezes e que tinha mil filhos negrinhos, mil cavalos baios e mil vezes mil onças de ouro... e que tudo isto cabia folgado dentro de um formigueiro pequeno...

     Caiu a serenada silenciosa e molhou os pastos, as asas dos pássaros e a casca das frutas. Passou a noite de Deus e veio a manhã e o Sol encoberto. E três dias houve cerração forte, e três noites o estancieiro teve o mesmo sonho. A peonada bateu campo, porém ninguém achou a tropilha e nem o rastro. Então o senhor foi ao formigueiro, para ver o que restava do corpo do escravo. Qual não foi o seu grande espanto, quando, chegado perto, viu na boca do formigueiro o Negrinho de pé, com a pele lisa, perfeita, sacudindo de si as formigas que o cobriam ainda!... O Negrinho, de pé, e ali ao lado, o cavalo baio, e ali junto a tropilha dos trinta tordilhos... e fazendo-lhe frente, de guarda ao mesquinho, o estancieiro viu a madrinha dos que não a tem, viu a Virgem, Nossa Senhora, tão serena, pousada na terra, mas mostrando o céu... Quando tal viu, o senhor caiu de joelhos diante do escravo. E o Negrinho, sarado e risinho, pulando de em pêlo e sem rédeas no baio, chupou o beiço e tocou a tropilha a galope. E assim o Negrinho pela última vez achou o pastoreio. E não chorou, nem riu. Correu no vizindário a nova do fadário e da triste morte do Negrinho devorado na panela do formigueiro. Porém logo, de perto e de longe, de todos os rumos do vento, começaram a vir notícias de um caso que parecia milagre novo... E era, que os pastoreios e os andantes, os que dormiam sob palhas dos ranchos e os que dormiam na cama das macegas, os chasques que cortavam por atalhos e os tropeiros que vinham pelas estradas, mascates e carreteiros, todos davam notícia - da mesma hora - de ter visto passar, como levada em pastoreio, uma tropilha de tordilhos, tocada por um Negrinho, gineteando de em pêlo, em um cavalo baio! Então, muitos acenderam velas e rezaram o Padre-Nosso pela alma do judiado. Daí por diante, quando qualquer cristão perdia uma coisa, o que fosse, pela noite velha o Negrinho campeava e achava, mas só entregava a quem acendesse uma vela, cuja luz ele levava para pagar a do altar de sua madrinha, a Virgem, Nossa Senhora, que o remiu e salvou e dera-lhe uma tropilha, que ele conduz e pastoreia, sem ninguém ver. Todos os anos, durante três dias, o Negrinho desaparece: está metido em algum formigueiro grande, fazendo visitas às formigas, suas amigas; a sua tropilha esparrama-se; e um aqui, outro por lá, os seus cavalos retouçam nas manadas das estâncias. Mas ao nascer do sol do terceiro dia, o baio relincha perto do sei ginete; o Negrinho monta-o e vai fazer a sua recolhida; é quando nas estâncias acontece a disparada das cavalhadas e a gente olha, olha, e não vê ninguém, nem na ponta, nem na culatra.

     E depois disso, entre os andantes e posteiros, tropeiros, mascates e carreteiros da região, todos davam a notícia, de ter visto passar, como levada em pastoreio, uma tropilha de tordilhos, tocada por um Negrinho, montado em um cavalo baio.

     Então, muitos acenderam velas e rezaram um Padre-Nosso pela alma do judiado. Daí por diante, quando qualquer cristão perdia uma coisa, o que fosse pela noite o Negrinho campeava e achava, mas só entregava a quem acendesse uma vela, cuja luz ele levava para pagar a do altar de sua madrinha, a Virgem, Nossa Senhora, que o livrou do cativeiro e deu-lhe uma tropilha, que ele conduz e pastoreia sem ninguém ver.

     Desde então e ainda hoje, conduzindo o seu pastoreio, o Negrinho, sarado e risonho, cruza os campos. Ele anda sempre a procura dos objetos perdidos, pondo-os de jeito a serem achados pelos seus donos, quando estes acendem um coto de vela, cuja luz ele leva para o altar da santa que é sua madrinha.

     Quem perder coisas no campo, deve acender uma vela junto de algum mourão ou sob os ramos das árvores, para o Negrinho do pastoreio e vá lhe dizendo: "Foi por aí que eu perdi… Foi por aí que eu perdi… Foi por aí que eu perdi…". Se ele não achar, ninguém mais acha.

sábado, 3 de abril de 2010

A Páscoa, suas origens, símbolos e história.

      A Páscoa é uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu, até sua ressurreição. É o dia santo mais importante da religião cristã, quando as pessoas vão às igrejas e participam de cerimônias religiosas.

     Pelo menos e parte de seu significado, historiadores, fatos e a própria bíblia descrevem mais. Muitos costumes ligados ao período pascal originam-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica. É uma das mais importantes festas do calendário judaico, que é celebrada por 8 dias e comemora o êxodo dos israelitas do Egito durante o reinado do faraó Ramsés II, da escravidão para a liberdade. Um ritual de passagem, assim como a "passagem" de Cristo, da morte para a vida.

     Segundo a Bíblia no Livro do Êxodo, Deus lançou 10 pragas sobre o Egito. Na última delas, disse Deus que todos os primogênitos egípcios seriam exterminados, mas os de Israel seriam poupados. Para isso, o povo de Israel deveria imolar um cordeiro, passar o sangue do cordeiro imolado sobre as portas de suas casas, e Deus passaria por elas sem ferir seus primogênitos. Todos os demais primogênitos do Egito foram mortos, do filho do Faraó aos filhos dos prisioneiros. Isso causou intenso clamor dentre o povo egípcio, que culminou com a decisão do Faraó de libertar o povo de Israel, dando início ao Êxodo de Israel para a Terra Prometida.

      A Bíblia judaica institui a celebração da Páscoa em Êxodo 12, 14: Conservareis a memória daquele dia, celebrando-o como uma festa em honra do Senhor: Fareis isto de geração em geração, pois é uma instituição perpétua.

      Portanto a páscoa é a festa instituída pelos Judeus em lembrança da morte dos primogênitos do Egito e da libertação dos Israelitas. O seu nome deriva de uma palavra hebraica que significa a passagem do anjo exterminador, sendo poupadas as habitações dos israelitas, cujas portas tinham sido aspergidas com o sangue do cordeiro pascal (Ex.12:11-27). Chama-se a "páscoa do Senhor", a "festa dos pães asmos" (Lv.23:6,Lc.22:1), os dias dos "pães asmos" (At.12:3,20:6).

     A palavra "páscoa" é aplicada não somente à festa no seu todo, mas também ao cordeiro pascal, e à refeição preparada para essa ocasião solene (Lc.22:7,1Co.5:7,Mt.26:18-19,Hb.11:28). Na sua instituição, a maneira de observar a páscoa era da seguinte forma: o mês da saída do Egito (nisã-abibe) devia ser o primeiro mês do ano sagrado ou eclesiástico; e no décimo quarto dia desse mês, entre as tardes, isto é, entre a declinação do sol e o seu ocaso, deviam os israelitas matar o cordeiro pascal e abster-se de pão fermentado.

      No dia seguinte, o 15°, a contar desde as 6 horas do dia anterior, principiava a grande festa da páscoa, que durava 7 dias; mas somente o 1° e o 7° dias eram particurlamente solenes. O cordeiro morto tinha que ser sem defeito, macho e do 1° ano. Quando não fosse encontrado o cordeiro, podiam os israelitas matar um cabrito. Naquela mesma noite devia ser comido o cordeiro, assado, com pão asmo, e uma salada de ervas amarga, não devendo, além disso, serem quebrados os ossos. Se alguma coisa ficava para o dia seguinte, era queimada.

     Os que comiam a páscoa precisavam estar na posição de viajantes, cingidos os lombos, tendo os pés calçados, com os cajados na mão, alimentando-se apressadamente. Durante os 8 dias da páscoa não se podia comer pão levedado, embora fosse permitido preparar a comida, sendo isto, contudo, proibido no sábado (Ex.12). A páscoa era uma das três festas em que todos os varões haviam de "aparecer diante do Senhor" (Ex.26:14-17).

     Era tão rigorosa a obrigação de guardar a páscoa, que todo aquele que a não cumprisse seria condenado à morte (Nm.9:13); mas aqueles que tinham qualquer impedimento legítimo, como jornada, doença ou impureza, tinha que adiar sua celebração até ao segundo mês do ano eclesiástico, o 14° dia do mês iyyar (abril e maio). Um paralelo desta situação por ser lido em IICr.30:2-3.

     A última ceia partilhada por Jesus Cristo e seus discípulos é narrada nos Evangelhos e é considerada, geralmente, um “sêder do pesach” – a refeição ritual que acompanha a festividade judaica, se nos ativermos à cronologia proposta pelos Evangelhos sinópticos. O Evangelho de João propõe uma cronologia distinta, ao situar a morte de Cristo por altura da hecatombe dos cordeiros do Pessach. Assim, a última ceia teria ocorrido um pouco antes desta mesma festividade.

     O nome de Páscoa, que seria a tradução do original de Pessach, adotado para os eventos da Páscoa cristã causa certa confusão. O nome foi adotado visto que os novos Cristãos eram também descendentes de judeus inclusive o próprio Cristo, assim, era provável que a tradição fosse mantida. Eles adotaram este grande evento da religião judaica e posteriormente a Igreja católica o tornaria também como o maior de sua religião ao associar a morte e ressurreição de Jesus Cristo ao evento Pessach, isto é, a morte e ressurreição, de acordo com a cultura cristã, do primogênito de Deus.

     O cordeiro é um dos principais símbolos de Jesus Cristo, já que é considerado como tendo sido um sacrifício em favor do seu rebanho. Segundo o Novo Testamento, Jesus Cristo é “sacrificado” durante a Páscoa. Isso pode ser visto como uma profecia de João Batista, no Evangelho segundo João no capítulo 1, versículo 29: “Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo”.

     Paulo de Tarso em I Coríntios: cap: 5, ver: 7 diz: “Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.“

    Jesus, desse modo, é tido pelos cristãos como o Cordeiro de Deus em latim: Agnus Dei que supostamente fora imolado para salvação e libertação de todos do pecado. Para isso, Deus teria designado sua morte exatamente no dia da Páscoa judaica para criar o paralelo entre a aliança antiga, no sangue do cordeiro imolado, e a nova aliança, no sangue do próprio Jesus imolado. Assim, a partir daquela data, o Pecado Original tecnicamente deixara de existir.

     A Cruz também é tida como um símbolo pascal. Ela mistifica todo o significado da Páscoa, na ressurreição e também no sofrimento de Jesus. No Concílio de Nicea em 325 d.C, Constantino decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Então, ela não somente é um símbolo da Páscoa, mas o símbolo primordial da fé católica.

     O pão e o vinho simbolizam a vida eterna, o corpo e o sangue de Jesus, oferecido aos seus discípulos, conforme é dito no capítulo 26 do Evangelho segundo Mateus, nos versículos 26 a 28: “Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.“

     Em alguns países, é comum a prática de pintar ovos cozidos, embora que em outros, os ovos tenham sido substituídos por ovos de chocolate. No entanto, o costume não é citado na Bíblia. Portanto, este costume é uma alusão a antigos rituais pagãos. Eostre ou Ostera é a deusa da fertilidade e do renascimento na mitologia anglo-saxã, na mitologia nórdica e mitologia germânica.

     Há milhares de anos atrás. Principalmente na região do Mediterrâneo, algumas sociedades, entre elas a grega, festejavam a passagem do inverno para a primavera, durante o mês de março. Geralmente, esta festa era realizada na primeira lua cheia da época das flores. Entre os povos da antiguidade, o fim do inverno e o começo da primavera eram de extrema importância, pois estava ligado a maiores chances de sobrevivência em função do rigoroso inverno que castigava a Europa, dificultando a produção de alimentos.

     Ostera ou Ostara é a Deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres.

    Estes antigos povos pagãos comemoravam a chegada da primavera decorando ovos. O próprio costume de decorá-los para dar de presente na Páscoa surgiu na Inglaterra, no século X, durante o reinado de Eduardo I (900-924 a.C), o qual tinha o hábito de banhar ovos em ouro e ofertá-los para os seus amigos e aliados.

     Na Índia, por exemplo, acredita-se que Hamsa uma gansa, chocou o ovo cósmico na superfície de águas primordiais e, daí, dividido em duas partes, o ovo deu origem ao Céu e a Terra – simbolicamente é possível ver o Céu como a parte leve do ovo, a clara, e a Terra como outra mais densa, a gema.

     O mito do ovo cósmico aparece também nas tradições chinesas. Antes do surgimento do mundo, quando tudo ainda era caos, um ovo semelhante ao de galinha se abriu e, de seus elementos pesados, surgiu a Terra (Yin) e, de sua parte leve e pura, nasceu o céu (Yang).

     Para os celtas, o ovo cósmico é assimilado a um ovo de serpente. Para eles, o ovo contém a representação do Universo: a gema representa o globo terrestre, a clara o firmamento e a atmosfera, a casca equivale à esfera celeste e aos astros.

     Os egípcios e persas costumavam tingir ovos com cores da primavera e presentear os amigos. Para os povos antigos o ovo simbolizava o nascimento. Por isso, os persas acreditavam que a Terra nascera de um ovo gigante.

    Os cristãos primitivos do oriente foram os primeiros a dar ovos coloridos na Páscoa simbolizando a ressurreição, o nascimento para uma nova vida. Nos países da Europa costumava-se escrever mensagens e datas nos ovos e doá-los aos amigos. Em outros, como na Alemanha, o costume era presentear as crianças. Na Armênia decoravam ovos ocos com figuras de Jesus, Nossa Senhora e outras figuras religiosas.

    Os ovos não eram comestíveis, como os de hoje. Era mais um presente original simbolizando a ressurreição como início de uma vida nova. A própria natureza, nestes países, renascia florida e verdejante após um rigoroso inverno.

    Em muitos países europeus, persiste a crença de que comer ovos no Domingo de Páscoa traz saúde e sorte durante todo o resto do ano. E mais: um ovo posto na sexta-feira santa afasta as doenças.

    No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da Antigüidade o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa.

    Lebres e ovos pintados com runas eram os símbolos da fertilidade e renovação eram associados à deusa Eostre. A lebre era seu símbolo. Suas sacerdotisas eram ditas capazes de prever o futuro observando as entranhas de uma lebre sacrificada.

    Quem não conhece esse versinho “coelhinho da páscoa, que trazes pra mim?”... Na verdade seria “Lebre de Eostre, o que suas entranhas trazem de sorte para mim?”. Porem acredito assim como outros que a versão atual, seja mais comercial.

     A lebre de Eostre pode ser vista na Lua cheia e, portanto, era naturalmente associada à Lua e às deusas lunares da fertilidade. De seus cultos pagãos originou-se a Páscoa (Easter, em inglês e Ostern em alemão), que foi absorvida e misturada pelas comemorações judaico-cristãs.

    Os antigos povos nórdicos comemoravam o festival de Eostre no dia 30 de Março. Eostre ou Ostera significa “a Deusa da Aurora”. É uma Deusa anglo-saxã, teutônica, da Primavera, da Ressurreição e do Renascimento. Ela deu nome ao Sabbat Pagão, que celebra o renascimento chamado de Ostara.

    A tradição do coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa.

    Outra lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos. A mais pura verdade, alguém duvida?

    Em alguns lugares as crianças montam seus próprios ninhos e acreditam que o coelhinho da Páscoa coloca seus ovinhos. Em outros, as crianças procuram os ovinhos escondidos pela casa, como acontece nos Estados Unidos.

    O chocolate vem sido usado como bebida desde o começo de sua história. Registro mais antigo do uso de chocolate data de muitos séculos atrás. Em Novembro de 2007, arqueólogos encontraram vestígios da mais antiga plantação de cacau numa região de Puerto Escondido, em Honduras, que data de 1100 a 1400 a.C.

     Os resíduos encontrados e o tipo de recipiente em que estavam indicam que o uso do cacau não era apenas como bebida, mas que a parte branca que envolve os grãos de cacau era usada como fonte de açúcares fermentáveis para uma bebida alcoólica. A civilização maia cultivava o cacau em seus quintais e usavam as sementes para fazer uma bebida amarga. Documentos a respeito dos hieróglifos maias dizem que o chocolate era usado para fins cerimoniais assim como no cotidiano.

     Os resíduos de chocolate numa peça de cerâmica maia de Río Azul, na Guatemala, sugerem que os maias já bebiam chocolate por volta do ano 400 d.C. No Novo Mundo, o chocolate era consumido numa bebida amarga chamada xocoatl, e era geralmente temperada com baunilha e pimenta. O xocoatl, combatia o cansaço.

     O chocolate também era um bem luxuoso e importante na América Central pré-colombiana, e os grãos de cacau eram usados como moeda. Povos europeus e da América do Sul vêm usando o chocolate para o tratamento de diarréia há centenas de anos. Todas as áreas conquistadas pelos astecas eram obrigadas a plantar cacau e pagar um imposto em grãos.

    Até o século XVI, os europeus nunca tinham ouvido falar da popular bebida dos povos das Américas do Sul e Central. Foi através da conquista dos astecas pelos espanhóis que o chocolate passou a ser importado pela Europa, onde rapidamente se tornou um favorito da corte. Para acompanhar a alta demanda da nova bebida, o exército espanhol começou a cultivar o cacau em plantações onde trabalhavam escravos nativos.

    Mesmo após a produção do cacau se tornar algo comum, apenas a realeza e os ricos podiam se dar ao luxo de consumir essa cara importação. Logo, os espanhóis passaram a cultivar o cacau em plantações, usando mão-de-obra africana escravizada para administrá-las. A situação era outra na Inglaterra: qualquer um com dinheiro poderia comprar o chocolate. A primeira chocolataria de Londres foi inaugurada em 1657.

    Em 1689, o famoso médico e colecionador Hans Sloane desenvolveu uma bebida de leite com chocolate na Jamaica que foi inicialmente usada por boticários, mas mais tarde vendida para os irmãos Cadbury.

    Por centenas de anos, o processo de fabricação do chocolate permaneceu o mesmo. Quando a Revolução Industrial chegou, muitas mudanças ocorreram e trouxeram o alimento para a forma em que o conhecemos hoje. No século XVIII, máquinas de espremer manteiga de cacau foram criadas. Isso ajudava a fazer um chocolate mais consistente e durável. A partir daí, o consumo do chocolate foi popularizado e espalhado pelo mundo todo.

    Com o passar do tempo as crenças foram profanadas, o mundo capitalista ganhou força. E a humanidade foi influenciada, as festas tornaram-se reuniões de família. Isso e ate bom se não considera o fator que na maioria das vezes, esses mesmo familiares nem se cumprimentar na rua. O desrespeito das crenças religiosas e culturais cresce a cada dia. Estas datas passam a ser utilizadas como forma de pregação em escolas e ruas, sem se importa que as pessoas presentes queiram ou não ouvir. A batalha para aumentar os fiéis e lucros, aumentando no Natal, Páscoa, dia das mães, dia dos pais e até o dia das crianças.

    Portanto lembre-se de comemorar, independente de sua religião. E ao saborear um delicioso bombom ou pedaço de chocolate, pensem em suas atitudes e em como se torna uma pessoa melhor. Boa Páscoa a Todos.

Fonte:

http://www.coladaweb.com/curiosidades/historia-da-pascoa
http://wwwusers.rdc.puc-rio.br/kids/kidlink/kidcafe-esc/significado.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1scoa
http://ceticismo.wordpress.com/religiao/a-verdadeira-historia-da-pascoa/
http://www.suapesquisa.com/historia_da_pascoa.htm

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

História do povo cigano

     O povo cigano também conhecido como Rom teve sua origem supostamente na Índia, como estratégias de proteção utilizaram lendas envolvendo mistérios e teoria. O idioma falado e o Romani também conhecido como romanes , muito similar ao panjabi o ao híndi ocidental.

      Com o passar do tempo, apareceram teorias populares sobre a origem cigana; Descendentes de Caim, magos caldeus da Síria, a tribo de Israel fugida do Egito faraônico, inclusive uma antiga lenda balcânica nos transforma em ladrões dos pregos da cruz de Cristo.

     Alguns pesquisadores baseados no relato de Mahmud de Ghazni, informando sobre 50 mil prisioneiros durante a invasão turco-persa do Sindh e do Punjab. Acreditam que os mulçumanos escravizaram o povo cigano.

     O que é aceite pela maioria dos investigadores é que os ciganos poderiam abandonar a Índia em torno do ano 1000, e atravessar o que agora é o Afeganistão, Irã, Armênia e Turquia. Vários povos similares aos ciganos vivem hoje em dia na Índia, aparentemente originários do estado desértico de Rajastão, e à sua vez, povoações ciganas reconhecidas como tais pelos próprios roma vivem, todavia, no Irã, com o nome de lúrios.

      Partiram em direção à Pérsia onde se dividiram em dois ramos: o primeiro, que tomou rumo oeste, atingiu a Europa através da Grécia; o segundo partiu para o sul, chegando à Síria, Egito e Palestina. No século XII, os ciganos enfrentaram o avanço dos muçulmanos, que tentaram impor sua religião na Índia, e lutaram contra os Sarracenos por muitos séculos, inclusive durante a Idade Média.

    As viagens eram realizadas em grupos variados, de 80 a 150 pessoas, lideradas por um homem. Cada grupo autônomo mantinha relações à distância com algum dos outros, existindo talvez relações de parentesco. A estratégia de sobrevivência mais comum era a de apresentar-se como peregrinos cristãos para buscar a proteção de um nobre. O lucro vinha através das adivinhações e espetáculos.

     A partir do final do século XVI, sucederam-se em toda a Europa autorizações, leis e decretos contra o modo de vida dos ciganos. Mais como chegaram as Américas? Em 1498, Cristóvão Colombo trouxe três ciganos. A Inglaterra e a Escócia enviaram remessas de ciganos às suas colônias americanas da Virgínia, no século XVII e Luisiana. A prática da deportação à América foi seguida nesse mesmo século por Portugal. Os ciganos espanhóis só podiam viajar à América com permissão expressa do Rei. Filipe I decretou em 1570 uma proibição de entrada dos ciganos na América, e ordenou o regresso dos já enviados. É conhecido o caso de um ferreiro cigano que conseguiu autorização para viajar à Cuba em 1602.

     À medida que se aproxima a Segunda Guerra Mundial, a perseguição fica mais dura. O governo prussiano, por exemplo, decidiu acabar com a "moléstia cigana" mediante um acordo internacional desenhado para acabar com a sua forma de vida. Na Baviera, foi elaborado em 1905 um "Livro cigano", com um censo inicial de 3 mil indivíduos que logo aumentaria com a colaboração de outros estados germânicos. O estado da Baviera autorizou o castigo a trabalhos forçados a todo cigano que não pudesse demonstrar ter um trabalho estável, e a República de Weimar estendeu essa medida a toda Alemanha. Em 1926, começou o costume de sequestrar meninos ciganos para serem educados entre não ciganos, prática que só seria abandonada em 1973.

       Com a queda do muro de Berlim em 1989, a Alemanha deportou em 1990 milhares de imigrantes à Europa Central e Oriental. De acordo com um tratado de 1992, 60% eram ciganos.

       A Segunda Grande Guerra Mundial, e marcada pelo holocausto de judeus. As escolas não ensinam mais neste período ocorreu o holocausto cigano chamado de "porraimos", ou "porajmos", a destruição. Os nazistas assassinaram Judeus, Ciganos, Deficientes, Homossexuais, Socialistas e Testemunhas de Jeová.

      “ Depois dos Judeus, os Ciganos” anunciava o slogan de 1941. Os alemães diziam à comissão que os ciganos se encontravam presos por serem boêmios e vagabundos, não podendo assim transitar junto ao povo alemão. Seus cabelos eram raspados para confecção de meias e cordas para navios.

    Os Nazistas passavam á propaganda dos ciganos serem anti-sociais, desprezando assim seu modo de viver e ser. Na noite de 2 de Agosto de 1944, acontece a mais apavorante noite de Auscwitz “o massacre cigano”. Os ciganos dançavam e cantavam para disfarçar a agonia final e tentar distrair as crianças que choravam.

     Segundo relato do ex-prisoneiro, Wladyslan Szmyt. Os ciganos se defendiam como podiam, mordiam e arranhavam. As crianças eram jogadas em caminhões, se pulassem seus membros eram quebrados braços e pernas para não repetirem o ato.

     O médico chefe do campo das famílias ciganas chegou a Birkenau, no dia 30 de Maio de 1943. Dr. Josef Mengele selecionava pessoas com anomalias e monstruosidades; gêmeos, corcundas, hermafroditas, anões, obesos, gigantes, cabeças de alfinete. Sua enfermeira particular Sara Nuremberg Przytyk os classificavam como; “ Aqueles que não foram criados a imagem de Deus”.

       O Dr. Jan Cespiva Ex-prisoneiro de Auschwitz, testemunhou contra Mengele em 1963. “_ Pude ver com meus próprios olhos como ele infectava gêmeos com tifo na enfermaria do campo dos ciganos, para saber se os gêmeos reagiriam do mesmo modo ou diferentemente, pouco tempo depois eram enviadas as câmaras de gás.”

      Enviado para Auscwitz, o cigano Karl Stojka na época com 14 anos. Sobreviveu ao holocausto e tornou-se pintor, graças ao seu irmão e ao tio que, falaram falsamente que ele era um adulto anão e não uma criança.


      Com o fim da guerra em 1945, a história começou a ser contada. O processo de julgamento de Nuremberg, não contou com testemunhos ciganos pois estes não foram convidados. Myrian Movitch, historiadora do Instituto Yad Vasem foi a pioneira nos estudos relacionados ao holocausto Cigano. Eu copiei quase todas as linhas de pesquisa brasileira, do historiador Rodrigo Gevegir. Para saber mais:Segunda Guerra Mundial.

Congresso Cigano

      O Primeiro Congresso Mundial Cigano ocorreu em Londres, no dia 8 de abril de 1971. Lá, ficou definido o uso de uma bandeira única para todos os roma e a adoção da canção Dgelem Dgelem como hino nacional.

Dgelem, Dgelem

Dgelem, Dgelem lungone dromentsa
Maladjilem bhartalé romentsa
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Naís tumengue shavale
Patshiv dan man romale
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Vi mande sas romni ay shukar shavê
Mudarde mura família
Lê katany ande kale
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Shinde muro ilô
Pagerde mury luma
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)
Opré Romá
Aven putras nevo dromoro
Ai, ai, romale, ai shavalê (bis)

Tradução em Português: Caminhei, Caminhei

Caminhei, caminhei longas estradas
Encontrei-me com romá (ciganos) de sorte
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos
Obrigado rapazes ciganos
Pela festa louvor que me dão
Eu também tive mulher e filhos bonitos
Mataram minha família
Os soldados de uniforme preto
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos
Cortaram meu coração
Destruíram meu mundo
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos
Pra cima Romá (Ciganos)
Avante vamos abrir novos caminhos
Ai, ai ciganos, ai jovens ciganos!!!

      A bandeira é composta por duas bandas horizontalmente dispostas de azul em cima e verde em baixo representando os céus e a terra, respectivamente. No centro da bandeira, figura uma chakra vermelha, representando a herança indiana do povo rom.

     Santa Sara é a mãe, rainha e padroeira de todos os ciganos do mundo. Seu santuário está localizado na Igreja de Notre Dame de La Mer, na cidade provençal de Saintes-Marie-de-la-Mer, sul da França.

      Conta a história que pelos anos 44 e 45 d.c . Era, Herodes Agrippa perseguiu e condenou um grupo de amigos de Jesus à morte. Em cumprimento da sentença, o grupo de cristãos foi levado ao mar da Palestina e colocado numa barca, sem remos, sem provisões e sem água. Esta frágil embarcação vinda da Terra Santa chega milagrosamente ao sul da atual França, exatamente no campo romano chamado “L´oppidum Râ”.

     Na pequena barca, chegaram Maria Salomé, mãe do apóstolo Tiago, o Maior; Maria Jacobé, prima da Virgem Maria e mãe do apóstolo João; Lázaro e suas irmãs Marta e Maria Madalena, Maximino, Sidônio, o cego de Jericó e Virgem Sara Kali, a escrava negra de Maria Jacobé e Maria Salomé.

      Conta a tradição que a serva Sara se juntou aos cristãos espontaneamente, pois ela não havia sido condenada, embora tivesse se tornado cristã. Quando a barca avançava mar adentro, Sara suplicou que a levassem. Um milagre a fez chegar até o barco: sobre o manto que Maria Salomé atirou sobre as águas para auxiliá-la, Sara caminhou e alcançou a barca. Muitas outras histórias são contada sobre a origem de Santa Sara. Uma delas diz que Sara era uma abadessa egípcia, moradora de Camargue, que apiedou-se dos santos e ajudou-os a construir o primeiro oratório da região. Outra conta que Sara era uma sacerdotisa celta. Também dizem que ela era uma rainha negra de grande poder e outros afirmam ser a filha de Jesus Cristo com Maria Madalena.

     Todos os dias 24 de maio, uma grande multidão de ciganos de todas as partes do mundo, se reúnem na cidadezinha francesa de Saintes-Maries-de-la Mer, às margens do Mediterrâneo, para louvar sua rainha e protetora. Sara, a Negra ou a Kali, é levada pelas ruas da cidade, coberta de mantos de diversas cores, ao som dos violinos e das alegres músicas ciganas. Com ela chegam ao Mar e entram na água para recordar sua história.

Fonte: Os mistérios de Santa Sara – O Retorno da Deusa Pelas Mãos dos Ciganos. Sibyla Rudana


     Filho de pais ciganos espanhóis, Ceferino Giménez Malla, chamado pelo familiares de El Pele, nasceu na Catalunha, Espanha, em 26 de agosto de 1861. Com vinte anos mudou-se para Barbastro e casou segundo as tradições cigana com Teresa Giménez Castro, uma cigana de Lérida. Adotou Pepita, uma sobrinha de Tereza.

      Trabalhou vendendo cestas, alem de cavalos e mulas nas feiras da região. Foi acusado e preso por roubo injustamente, sempre honesto nos negócios logo foi declarado inocente. Pela sua reconhecida prudência e sabedoria, era solicitado pelos camponeses e pelos ciganos para solucionar os conflitos que por vezes surgiam entre eles.

     No início da guerra civil espanhola, foi preso por tentar libertar um Sacerdote que arrastavam pelas ruas para o cárcere. Tinha então setenta e cinco anos de idade, na prisão rezava o Rosário que levou no bolso. Ofereceram-lhe a liberdade se deixasse de rezar, mas preferiu permanecer na prisão.

     Na madrugada de 8 de Agosto de 1936 fuzilaram-no junto ao cemitério de Barbastro.Mesmo sob a mira das armas, Ceferino protestou de cabeça erguida. Todos puderam ouvir seu último grito, brandindo o rosário, seu companheiro, antes do fuzilamento: "Viva Cristo Rei!" Por ordem dos rebeldes, todos os fuzilados foram enterrados numa cova coletiva. Seu corpo nunca pôde ser encontrado.

     Em 1997, numa bela cerimônia solene celebrada pelo papa João Paulo II, em Roma, na presença de milhares de ciganos cristãos do mundo todo, Ceferino Giménez Malla, o l.° Mártir da guerra civil espanhola (1936/39) foi Beatificado por Sua Santidade o Papa João Paulo II no dia 4 de Maio.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

As histórias sobre o Natal e o Réveillon.

      E véspera de natal e minhas caixas de e-mail ficaram repletas de mensagens desejando coisas maravilhosas, lógico que houve também spams e pregações convidando-me para seguir certas religiões. Não posso citar de um slide em especial intitulado “Meu aniversário” era como se fosse o próprio Cristo me escrevendo, apesar de sabermos que a data não foi o nascimento do grande Arquiteto do Universo.

       Mais como realmente surgiu o Natal? Lembro de certa vez de realizado uma pesquisa a fim de sanar as dúvidas da classe de uma denominação evangélica que fiz parte. Junto com estas informações busquei rapidamente pelo Google alguns textos, misturei de tudo um pouco e saiu este texto com informações históricas.

     A comemoração desta data no final de dezembro vem bem antes do nascimento do pequeno Messias, aproximadamente a nove mil anos atrás. O intuito no hemisfério norte era celebrava a mais longa noite do ano logo depois o sol ficaria mais tempo, pois iniciaria se o verão. Os gregos aproveitavam o mesmo período para cultuar Dionísio, o deus do vinho e da vida mansa, enquanto os egípcios relembravam a passagem do deus Osíris para o mundo dos mortos. Os Chineses homenageavam o símbolo do yin-yang, que representa a harmonia da natureza.

    A comemoração chegou à Europa por volta do século 4 a.C., quando Alexandre, o Grande, conquistou o Oriente Médio. Soldados romanos exportaram a mesma parar o coração do Império Romano.

    O Festival do Sol Invicto fora criado exclusivamente para o deus Mitra, Esse evento encerava na Saturnália, dedicada ao solstício que durava uma semana e servia para homenagear Saturno, senhor da agricultura. Enquanto os sacrifícios eram entregue ao deus. Dentro de casa, todos comiam e trocavam presentes. O Sol tem sua representação no deus greco-romano Apolo, em outras culturas recebe outros nomes; no Egito, Ra, na Babilônia, Utudos, na Índia, Surya, Baal e Mitra.
 
    O Imperador de Roma Aureliano estabeleceu no ano de 273 d.C., o dia do nascimento do Sol em 25 de dezembro “Natalis Solis Invcti”, que significava o nascimento do Sol invencível. Todo O Império passou a comemorar neste dia o nascimento de Mitra-Menino, Deus Indo-Persa da Luz, que também foi visitado por magos que lhe ofertaram mirra, incenso e ouro.

    No Antigo Egito, sempre existiu a crença de que o filho de Ísis nasceu precisamente em 25 de dezembro. A deusa Ísis algumas vezes é “Mãe”, outras vezes é “Virgem” que é fecundada de maneira sobrenatural e engravida do “Deus Filho”.

     Tal culto à “Virgem” é encontrado entre os Celtas, cuja civilização, os druídas praticavam o culto baseado em um “Deus Único”, “Una Trindade”, a ressurreição, a imortalidade da alma e uma divindade feminina.

     Durante anos esta festividade fez parte da cultura destes povos, e não seria fácil excluir a mesma com a “nova doutrina” como religião oficial de Roma no Decreto de Constantino, imperador Romano e antigo adorador do Sol, transformaram a festa dos deuses na comemoração do nascimento de Jesus Cristo. Assim como foi feito com o Candomblé no Brasil, foi realizado um sincretismo, rituais, crenças, costumes e mitos passam a ser patrimônio do Cristianismo, convertendo deuses locais em santos, virgens em anjos e transformando santuários em Igrejas.

    Mitra era o mediador entre Deus e os homens. Assegurava salvação mediante sacrifício. Seu culto compreendia batismo, comunhão e sacerdotes. A Igreja Católica Romana, simplesmente “paganizou” Jesus que substituiu Mitra, o “Filho do Sol”, constituindo assim um “Mito” solar equivalente, circundado por 12 Apóstolos ou doze constelações. Complementando as analogias astronômicas: a estrela de Belém seria a conjunção de Júpiter com Saturno na constelação do ano 7 a.C, com aparência de uma grande estrela.

    Assim podemos concluir que a data nada tem haver com o nascimento de Jesus Cristo, correto? Mais então, Em que dia nasceu Jesus? Não sei dizer a bíblia não fala claramente, a informação que chega mais próximo e que ele nasceu na festa dos “Tabernáculos”. Segundo o nosso calendário gregoriano seria provavelmente no mês de setembro.

    Você pode esta perguntando; Esta e a história da data do natal, mais e os símbolos? Quase são suas histórias e significados? Vamos por partes, a começar pelo presépio.

     O primeiro presépio foi feito de argila no ano de 1223 na Itália, sua construção tinha o objetivo de explicar as pessoas mais simples o significado do nascimento de Jesus. Ao artista que esculpiu foi ninguém menos que São Francisco de Assis.

    Segundo informações não comprovadas a montagem de árvore de Natal teve início no ano de 1530, na Alemanha, com Martinho Lutero. Certa noite ao avistar os pinheiros cobertos de neves na floresta e o céu estrelado, Lutero ficou fascinado e tentou reproduzir com galhos de árvore, algodão, velas e outros ornamentos.

    As árvores de Natal também simbolizam a vida, pois em dezembro no hemisfério norte, ocorre o inverno e as árvores perdem as folhas. Uma árvore frondosa e cheia de enfeites simboliza a vida. De acordo com a tradição católica, a árvore de Natal deve ser montada a partir do dia 30 de novembro, que é o começo do período do advento. E deve ser desmontada em 6 de janeiro, Dia de Reis. Não sei se por coincidência mais esta era a data da aparição de Osíris entre os egípcios e de Dionísio entre os gregos.

    Mais afinal de contas, existe “Papai Noel”? Segundo grandes estudiosos sua história foi inspirada na vida de um bispo chamado Nicolau que nasceu na Turquia em 280 d.c e faleceu no dia 6 de Dezembro de 342. Dizem que no local onde foi sepultado surgiu uma nascente de água.

    Herdou uma grande fortuna dos seus pais e costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas. São Nicolau foi relacionado ao natal pela primeira vez na Alemanha e espalhou-se pelo mundo em pouco tempo. Nos Estados Unidos ganhou o nome de Santa Claus, no Brasil de Papai Noel e em Portugal de Pai Natal.

    Papai Noel foi pintado por vários artistas de formas variadas, entre elas; “elfo”, “duende” e “gnomo”. Até o final do século XIX, sua roupa de inverno era representada na cor marrom ou verde escura. Em 1931 o cartunista alemão Thomas Nast criou as roupas nas cores vermelha e branca, com o cinto preto.

    Neste mesmo ano a “The Coca-Cola Company” que utilizava as mesmas cores na sua marca, contrata um artista e transforma Papai Noel numa figura totalmente humana e universalizada. Sua imagem foi definitivamente adotada como o principal símbolo do Natal.

A História do Réveillon

      As primeiras comemorações tiveram início há cerca de 2 mil anos antes da era cristã, quando os antigos babilônios festejavam o recomeço do ciclo anual, coincidindo com o início da primavera no hemisfério norte e a plantação de novas safras.

     Foram os romanos que em 1582 que começaram a comemorar no dia 1° de janeiro. Os gregos utilizavam um bebê como símbolo do Ano Novo, desfilando com ele em homenagem a Dionísius, o deus do vinho. O ritual representava o espírito da fertilidade pelo renascimento anual desse deus. Foi só em 1885, na França, que se criou a palavra hoje popularizada “Réveillon”.

    Mais importante de conhecer a história são as conseqüências, as crenças religiosos foram profanadas. A figura de Papai Noel que antes era utilizada para alimentar a capacidade de criação, através da fantasia das crianças foi banalizado. O nome de Cristo passou a ser “caftinizado” em uma espécie de monopólio religioso. E ate o réveillon, passou a ser um show para turistas.


sábado, 19 de dezembro de 2009

O Pentagrama e seus mistérios.

          O Pentagrama é um símbolo ocultista cheio de significados e interligações. Supostamente era utilizado no reino perdido de Atlântida. Foi associado a diversas divindades mais historicamente e um dos símbolos da deusa grega Vênus, pois representa o movimento do planeta de mesmo nome. Por este motivo e considerado um símbolo pagãos e também conhecido como símbolo do infinito e estrela do microcosmo, composta por cinco retas e cinco pontas. E muito utilizado pelas bruxas Wicca em respeito aos deuses da natureza. O estrela de cinco pontas e o verdaeiro sinbolo dos ciganos e não a estrela de Davi.

       Possui simbologia múltipla, fundamentada no número cinco. Representa a união, a realização, o casamento, o masculino e o feminino, o domínio do espírito sobre a matéria, inteligência sobre instintos, mente sobre o corpo, os cinco elementos; água, terra, fogo, ar e amor. Sendo utilizado para fins de defesa, proteção ou ataque. Podendo neutralizar, congelar e dissolver forças negativas, podendo também enviar espíritos desencarnas para luz. Funciona como uma espécie de cruz repelindo o mal.

       Os “satanistas” fazem como os nazistas fizeram na Alemanha com a Cruz a Suástica, invertem sua forma original colocando de cabeça para baixo. Historicamente sua utilização invertida vem da cultura pagã na representação da “Mãe Terra”, como as duas pontas da estrela ficam viradas para cima, lembra a entrada do canal vaginal. Segundo os mesmo o significado passa a ser o triunfo da Matéria sobre o Espírito, ou a vitória do Mal sobre o Bem. Pela lógica clara representa o homem sendo dominado.

       O Homem Vitruviano também conhecido como “Cânone das Proporções”, e um desenho famoso que encontra se em uma página de anotações do diário de Leonardo da Vincci feita por volta de 1490; É baseado na teoria do arquiteto romano Marcus Vitruvius Pollio, que já havia tentado encaixar as proporções do corpo humano dentro da figura de um quadrado e um círculo, mas suas tentativas ficaram imperfeitas. Foi apenas com Leonardo da Vincci que o encaixe saiu corretamente perfeito dentro dos padrões matemáticos esperados. O desenho original encontra-se em Veneza.

       Sendo assim vamos tentar resumir estas proporções. A contagem utilizada pelo homem e decimal devido aos 5 dedos de cada mão. Possuímos cinco sentidos; audição, visão, tato, olfato e paladar, A cabeça, os dois braços e as duas pernas formam cinco pontas, São cinco vogais. Para entender melhor temos de considerar que nossa contagem começa em 0 não em 1. Para utilizar as consoantes, devemos junta as vogais e organiza em ordem alfabética em volta de um circulo, ligue as vogais por retas e interligue seus pontos de encontro, veja na figura que obtemos a principio um pentágono e depois uma estrela de cinco pontas.


      Meu objetivo não e esclarecer todos os mistérios do pentagrama, mais sim mostrar um pouco da sua força oculta e ligação com a cabala. E bom lembrar que o material utilizado na confecção do talismã também interfere um pouco, aconselho prata ou ouro. E mais fácil de limpar e não precisa ficar sendo trocado sempre, representa o metal da lua e o metal do sol respectivamente. Por favor, se quiser energiza mais seu pentagrama procure alguém que conheça do assunto, não podemos confiar em tudo que esta escrito nos livros!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A luta pela Goméia e o Resgate da história

Pai Bobo de Iansã e Joasinho da Goméia.

       Em 2001 tive a oportunidade de conhecer o terreno onde funcionou o candomblé mais famoso da região sudeste nos anos 50. Meu pai contou parte da história e de um projeto elaborado por ele em 1987, no qual a prefeitura na época não deu seguimento.

       Na época foram ao local o Jornalista Eldemar, o folclorista Edgar, o escritor José Ribeiro e o advogado Fernando Lapoente, que redigia indicações para o vereador Luna. Com esses fragmentos de informações, ampliei a pesquisa, como o caso envolvia sobrenatural não vou negar que coisas estranhas aconteceram no decorrer da colheita de informações, constantemente encontrei pessoas que freqüentaram o antigo terreiro, várias vezes senti um forte peso nas pernas no antigo local do templo, mais talvez a experiência mais intensa tenha sido junto com minha mãe que em uma visita ao cemitério do Belém para tentar localizar o tumulo de seu João da Goméia sem saber a exata localização, ouvimos passos próximo a lapide e alguns momentos depois um dos funcionários informou que era exatamente naquele local onde ouvimos os passos era a sepultura, escondida atrás de um lido coqueiro de jardim.

       Segundo as informações contidas no site da prefeitura de Inhambupe, cidade onde nasceu Joãozinho da Goméia, o Padre José de Anchieta teria andado pelo interior do estado da Bahia catequizando os índios. Em uma destas expedições encontrou uma tribo a margem esquerda do rio inhambupe.

      Em 1572 o português Alexandre Vaz Gouveia. Expulsou os índios e instalou-se no local. Em 1624 o Marechal Guilherme Garcia, pediu posse ao General Diogo de Mendonça Furtado, iniciando a povoação da cidade. Vasco Fernandes Cezar de Menezes, elevou o povoamento a categoria de vila através da resolução de 24 de abril de 1728. A criação do Município de inhambupe só aconteceu em 07 de novembro de 1818, Em virtude da lei estadual n◦ 134 de 06 de agosto de 1896, foram concedidos foros de cidade.

     Os naturais do município denominam-se inhambupenses, devido ao som homófono indígena que significa duas grandes ilhas que pareciam formar um rio, sendo o mesmo apelidado de Bupe. Nos tempos coloniais era chamado de Ilha Bupe.

     E foi nessa cidade da Bahia a 153 quilômetros de Salvador que em 27 de Março de 1914 nasceu João Alves Torres Filho, ou melhor, dizendo Joãzinho da Goméia. Filho do alfaiate João Alves Torres e da dona de casa Maria Vitoriana Torres conhecida mais tarde como (Vó Senhora) era neto de ex-escravos africanos, foi coroinha do Padre Camilo Alves de Lima, supostamente na Igreja da Invocação do Divino Espírito Santo de Inhambupe. Temia qualquer coisa relacionada ao candomblé e sonhava ser um sacerdote Católico.

      Ainda Jovem foi morar na capital, seu primeiro emprego foi em um armazém de secos e molhados onde era caixeiro e ganhava o salário de vinte e cinco mil reis com direito a pernoitar no depósito onde dormia sobre sacos e caixotes.

O Mestre Jubiabá

      Reza a lenda que ainda criança, sonhava com um homem vestido de penas e tinha uma constante e forte dor de cabeça. Sua madrinha que era do candomblé percebeu que era cobrança do Santo para iniciá-lo na religião, e o levou a casa do Mestre Jubiabá. Muitos acreditam que este não existiu e foi uma simples estória de ficção do romance publicado em 1935 por Jorge Amado.

      Mais para surpresa de alguns este zelador de santo existiu e nasceu em 20 de abril de 1886 era de fato um capitão do exercito que respondia pelo nome de Batismo Severiano Manoel de Abreu.

       Quando jovem trabalhava como lavador de frascos em uma farmácia de manipulação e a noite dedicava-se ao mundo espiritual. Após a morte do parente de um amigo, tornou-se médium de um centro espírita na antiga cidade de Palha. Local marcante pela presença de candomblés de todas as nações. Incorporava um espírito chamado Cândido Ribeiro, mais tarde passou a freqüentar outra sessão espírita, na zona das docas, e nesta época que começa a incorporar o caboclo e curandeiro Jubiabá, Passou a trabalhar por conta própria e abriu uma sessão de caboclo em sua própria casa, na época situada na rua nova do Queimado. Mudou-se mais uma vez, antes de se firmar próximo ao largo da cruz do Cosme, mais precisamente na Avenida São Tomé, na verdade, uma rua estreita que compreende Três becos, todos com o nome de 1a, 2a e 3a travessas São Tomé. Hoje o local e conhecido como Largo do Tamarineiro.

     A notoriedade trouxe vários problemas, entre eles uma série de prisões sob acusação de “Falsa medicina” e “Bruxaria”, a perseguição dava força e fama aos trabalhos realizados no “Centro Espírita Paz, Amor e Caridade”, do Capitão Severiano.

     Foi pelas mãos deste famoso zelador, que para alguns era a própria reencarnação de São Tomé que seu Joãzinho da Goméia conheceu e nasceu para o mundo do Candomblé no final dos anos 20 sendo raspado na raiz Angola, consagrando sua cabeça a Oxossi e batizado com a digina de Londirá.

     Supostamente esse romance seria uma homenagem do escritor Jorge Amado, que foi Ogân do Caboclo Pedra Preta. Ao seu avô de Santo Jubiabá. Em 1932 Joãozinho era conhecido na Bahia como João da Pedra Preta. Pois dava consultas com o espírito deste Caboclo na Rua da Liberdade, 561. Mais tarde fundou o seu candomblé de Angola na Rua da Goméia, no bairro de São Caetano, Bahia. Por causa do nome da Rua, passou a ser o conhecido “Joãosinho da Goméia”.

      Mesmo sendo homossexual, no dia 20 de junho de 1945. Casou com Maria Luisa, a conhecida Isa do candomblé da Bahia. Teve como padrinhos de casamento o Capitão-dos-portos da Bahia, o Almirante Lemos Basis e o Médico Fortunato. Esse casamento durou apenas sete dias.

Rio de Janeiro

      A Bahia tornou-se pequena e Joãozinho da Goméia queria fazer nome no Rio. A primeira vez que pensou em vir, não teria pedido autorização aos orixás e estes incorporaram não o deixando partir. Na segunda vez, lembrou de fazer o pedido e o Caboclo Pedra Preta deu o seguinte recado consentindo. “Já que quê tanto vai mais logo vorta”.

      Era 1942, o governo era de Getúlio Dornelles Vargas. A perseguição aos feiticeiros era grande. Não poderiam deixar um Negro, homossexual e macumbeiro fixar-se na capital. O chefe de policia, General Alcides Etchegayen, apoiado pela 4◦ delegacia que tinha como titular, o delegado Dulcídio Gonçalves. Queriam ver João da goméia preso e conseguiram. Graças a um plano elaborado para tirá-lo de circulação. Supostamente Pai João foi acusado de fazer um trabalho no palácio do catete para fortalecer a posição do presidente que passava por uma crise. A sorte foi que o Professor Vieira de Melo intercedeu por ele diretamente no gabinete do presidente. Este resolveu da liberdade para o prisioneiro com uma condição, que embarcasse imediatamente para Bahia.

      Em 1946, assumiu a presidência o General Eurico Gaspar Dutra. A perseguição passou a ser outra, os jogos de cassino. Em 1948 Joãozinho despediu-se de Salvador com uma festa no Teatro Jandaia, apresentando danças típicas do Candomblé, a convite do Jornalista Orlando Pimentel. Volta a Capital federal sendo apresentado a Joaquim Rollas, e contratado como coreógrafo do cassino da Urca, pois sem a pratica dos jogos o mesmo tornou-se uma grande casa de shows. Recebeu incentivo do professor João de Freitas e do Jornalista Canuto Silva que o ajudavam na assessoria de imprensa.

      Desta vez tinha vindo acompanhado de Tossilondei, Maria de Lurdes Ramos equedy de seu Oxossi e hospedou-se na casa de sua filha de santo Kilondirá no bairro 25 de Agosto em Duque de Caxias, na baixada fluminense.

      Pouco tempo depois, aluga uma casa na Rua das vassouras, 174 no bairro Itatiaia também na Baixada Fluminense, onde iniciou algumas pessoas em um barracão de madeira no fundo do quintal, hoje a rua chama-se Castro Alves e o número passou a ser 194 a construção infelizmente foi derrubada.

     Ganhava dinheiro como alfaiate, costureiro, compositor e dançarino. Ajudado por suas filhas de Santo, que vendiam comidas típicas da Bahia em tabuleiros pelas ruas da cidade. Nos anos 50, compra por 50 mil cruzeiros os lotes 2805, 2806 e 2807, no loteamento Vila Leopoldina IV. Este endereço e mais conhecidos como, Rua General Rondon, 360. Parte da antiga fazenda Jacatirão que deu nome a uma das ruas do bairro, assim como Dr. Laureano, Ipanema e Copacabana, desta forma as pessoas começaram a utilizar os nomes das ruas como definição de bairro gerando confusão ate os dias atuais.

      O Terreiro foi construído aos poucos, quem podia contribuía com quatro contos de reis por mês, além disso, passavam uma cestinha pedindo ajuda. No dia 10 de maio de 1950, Mãe Ilecy da Silva chega da Bahia trazendo a muda da Juremeira árvore consagrada ao Caboclo Pedra Preta para plantar na Goméia. Poucos anos depois, este trecho da rua passou a ser chamado de Avenida Copacabana. Devido a grande procura e movimentação a empresa de ônibus da viação União, criou a linha “Caxias - Copacabana”, no pára-brisa lia-se em uma placa “Via Joãozinho da Goméia”. Em 1978, mais uma vez esta rua muda de nome, passando a ser chamada “Rua - Prefeito Braulino de Matos Reis”.

     Freqüentemente era chamado para apresentar-se a pessoas famosas. Inclusive na vinda da princesa Elizabeth ao Rio de Janeiro que ficou encantada com as danças apresentadas por seu João e falou ao presidente Juscelino Kubstchek que se houvesse um Rei neste negócio de macumba, seria Joãozinho da Goméia, daí o povo começou a chamá-lo de Rei do Candomblé. Quando esta Princesa foi coroada a cerimônia era anunciada por um grande sino de ouro, que no fim da solenidade era derretido. Gerando algumas miniaturas distribuídas para convidados especiais. Joãozinho da Goméia não foi, mas ela mandou o presente para ele pelas mãos do embaixador Assis Chateaubriand. O folclorista Edgar de Souza foi um dos poucos a ver esta relíquia que hoje está perdida.

      Nas décadas de 50 e 60 o Terreiro da Goméia, passou a ser referência no Município de Duque de Caxias, Não só por ser um dos primeiros terreiros de candomblé na região sudeste mais pelos seus freqüentadores. Políticos e artistas de todos os lugares entre eles; Embaixadores da França, Inglaterra e Paraguai, Cauby Peixoto, Dorival Caymmi, Emilinha Borba, Francisco Alves, Getúlio Vargas, Henrique Teixeira Lotte, Maria Antonieta Pons, Marlene, Ninon Sevilha, Paulo Gracindo, Solano Trindade, Tenório Cavalcanti, Djalma de Lalu e José Bispo dos Santos ou Pai Bobó, como era conhecido. Veio para o Rio e por alguns anos esteve ao lado de Joãozinho da Goméia, auxiliando-o nas funções sarcedotais. Em 1957, Pai Bobó foi para São Paulo e na cidade de Santos fundou o primeiro candomblé do estado. A quem diga que em 1961 após a inauguração da Petrobras o presidente Juscelino Kubitschek pediu para desviar o caminho indo encontro ao Rei do Candomblé.

      As propagandas das atividades do centro eram nas paredes dos mercadinhos e Jornais: Anunciavam distribuição de comida, agasalhos, festas, ensaios e etc... Joãozinho da Goméia bancava festas, enterros, remédio, fazia parto, pagava aluguéis e chegou a sustentar mais de 20 pessoas na Goméia. As consultas eram realizadas nas terças e quintas pela manhã e o pagamento era o que o cliente queria ou podia pagar. As Inkises de seu João vestiam os melhores panos franceses e africanos, brilhantes, esmeraldas, prata, ouro e apetrechos de ferro.

      Seu João era homossexual assumido e sofreu fortes críticas por alisar os cabelos com ferro quente. Muitos diziam que os Orixás não desciam na cabeça que recebeu calor. O carnaval era a segunda paixão, por ser excelente dançarino desfilou no Império Serrano e na Imperatriz Leopoldinense, apesar de não admitir que falassem de carnaval dentro do terreiro, muitos o acusavam de levar o luxo dos palcos para o culto Afro-brasileiro.

      Em 1955 saiu fantasiado em uma mortalha estampada de letras, um cetro de microfone e uma maquete do prédio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) na cabeça. Uma homenagem à imprensa.
Fantasiou-se de Cleópatra e entrou no Teatro Municipal, empunhando um enorme leque de plumas, deitado em uma liteira coberta com panos dourados e vermelhos e alçando por quatro negros, fantasiados de escravos núbios.

      Pouco antes da meia noite do ano de 1956 no Teatro João Caetano. Entrava uma figura exuberante, plumas na cabeça, maquiagem no rosto, maiô justinho ao corpo, sapato plataforma, pernas bem torneadas, envolvidas por uma meia arrastão. Fantasiado de vedete Arlete, tema de uma marchinha de carnaval que “zombava dos travestis”.

      Sua postura foi julgada em um tribunal formado pela diretoria da confederação de umbandista, sendo absorvido pelo jogo de búzios com uma condição. Que não se repetisse este ato. E bom lembrar que seu João também era católico e não gostava que confundisse as coisas chamando orixás pelo nome dos santos.

      Durante quatro anos morou em uma casa de altos e baixos na Avenida Paris, 55, em Bonsucesso, Seu último endereço um estacionamento à frente da faculdade SUAM, O aluguel custava CR$500.00 e era pago por três amigos freqüentadores da Goméia, Foi nesta moradia no Município do Rio de Janeiro que recebeu o Ogã Costinha que trazia um pedido de ajuda de D. Menininha do Gantois que em 1966 passou a ser zeladora de santo desta Lenda.

Momentos Finais

      No dia três de fevereiro de 1971 desejava resolver todos os seus compromissos antes do carnaval. Seu filho de santo Gitadê, o Advogado Sebastião Paulo da Silva feito de omolu, o acompanhou como sempre fazia na cidade de São Paulo. Foram na casa de uma filha de santo de seu João dar obrigação. Depois passaram na festa de um terreiro de conhecidos, no meio da dança Joãozinho da Goméia caiu desacordado. Foi levado para o Hospital das Clínicas Paulista, mais por falta de vagas foi transferido para Beneficência Portuguesa. Três dias depois voltou para o Hospital das Clínicas em coma.

      Além do aneurise cardíaco, havia um tumor cerebral na região frontal. Consultado sobre a operação, concordou e disse que seu desejo era que se cumprisse à vontade de Deus.

     Joãozinho da Goméia seria o principal destaque da escola Imperatriz Leopoldinense, mais teve de ser substituído por Raimundo Nonato dos Santos, a fantasia de “Chico Rei”. De seu João não pode ser aproveitada por seu substituto muito mais alto e magro que ele.

      A saúde de Pai João já não andava boa, em 1966 ele caiu no terreiro por causa de um derrame cerebral. Outros sinais vieram de orun (céu) na última festa que Joãozinho realizou para Iansã, ela relutou muito para incorporar.

      Além do suicídio de um filho de Santo, Adilson de Oxalá, que prenunciava o mal para o zelador. Eram quase dez horas do dia 14 de março, a imagem de Santa Bárbara que ficava em uma prateleira sobre a cadeira do Babalorixá havia se desprendido da parede e caído no chão.

      Momentos antes de viajar para São Paulo, até o caboclo Pedra Preta, sacudiu Joãozinho quatro vezes, mais não incorporou. As folhas da Juremeira secaram e a canjica servida para Oxalá repentinamente azedou e pela primeira vez o terreiro de Duque de Caxias encheu com as fortes chuvas de janeiro. Sujando os assentamentos de lama.

     Ninguém deu ouvidos ou entendeu os recados. E No dia 19 de março de 1971, morria o Rei do Candomblé. Gitadê providenciou o enbalsamento do corpo no Hospital da Faculdade de Medicina de São Paulo, na Vila Clementina.

     Conduzido em uma Kombi do serviço funerário da Prefeitura de São Paulo, o corpo deixou a capital Paulista às oito horas, seguido por uma caravana de 30 carros. O povo impediu que o veículo levasse o caixão até a porta do terreiro e o carregaram nos últimos 50 metros. Cerca de mil pessoas entre desmaios e gritos histéricos tentaram tocar o caixão, que quase chegou a ser aberto na rua.

     O médico Antônio Monteiro, também filho de santo do Rei do Candomblé, pedia a todos que cumprissem alguns dos seus muitos desejos: a manutenção de seu Terreiro e das suas obras de caridade.

     No momento em que o caixão, suspenso por seis homens, entrou em um corredor de médiuns trajando roupas brancas que entoavam hinos a Iansã, quatro dos oito ogâns começaram a bater os atabaques para chamar respectivamente Iansã e Oxossi os santos do morto.

     Foram sacrificados três carneiros e Tião de Irajá se aproximando do corpo, derramou um pouco de sangue sobre a cabeça do morto. Lavando-a em seguida com uma mistura de ervas. Fazendo um pequeno risco na testa do cadáver. Com isto, cessava a capacidade daquele corpo para receber o santo e iniciar pessoas na religião. Coube a Tião a realização do rito, de vez que nenhum babalorixá feito por João teria capacidade para colocar a mão na cabeça de quem lhe fez o santo.

     Logo depois, aumentou o ruído dos atabaques para o espírito se desprender do corpo. Todos os orixás se manifestaram e dançaram, menos Iansã e Oxossi.

     Encerrado o ritual, as portas se abriram para que o publico pudesse ver o corpo velado por 26 horas. Outra cerimônia foi realizada pela Igreja Católica Apostólica Brasileira, por Dom José Antônio da Silva e Dom Hugo da Silveira Lino.

     O cortejo saiu pelas ruas, à frente de todos, três ogãs, um com uma grande bandeira branca, outro com um incensário que espalhava o cheiro de mirra e Benjoim e Valentim que entoava canções.

     Ninguém chamou mais atenção do que Iansã, que dançou docemente fazendo gestos com os braços. Algumas vezes soltava seu grito como um lamento pela perda daquele homem.

     Rosas eram jogadas pelo caminho. Ao chegar no cemitério o caixão na cor ouro velho, estava coberto com um pano verde. O céu estava azul, o calor era enorme e no momento em que cobriram o vidro da urna com a tampa de madeira, o vento envergava as árvores enchendo de folhas o chão, que vez o outra subiam em rodamoinho, no cruzeiro das almas, as velas se apagaram. O dia tornou-se noite clareada apenas pelos Relâmpagos e Raios que riscavam o céu, começou a chover, e a multidão olhava para cima e aplaudia.

      A filha de Santo de seu João Zuleica Pereira Rodrigues, estava de mãos dadas com seu filho de 12 anos Sebastião Rodrigues Filho, quando inexplicavelmente o menino desapareceu dentro do cemitério alguns juraram ter visto o garoto desaparecer no ar, carregado pelo vento.

      Em poucos minutos, o temporal alagou tudo e a água escorreu forte por entre as sepulturas. Pessoas caiam dentro de túmulos, uma jovem que carregava os sapatos na mão, deixou-os cair no interior da catacumba que a água enchia enquanto o caixão descia. Outros entravam em traze espiritual. Eram 16hs e 40min, os funcionários do Cemitério do Belém no Bairro Corte Oito, testemunhavam no dia 21 de março de 1971, o temporal que batizava aquela sepultura de número 7188. Mostrando que Iansã se fazia presente no enterro de seu mais importante filho.

       Sete dias depois, Tião de Irajá não queria Jogar os búzios Maneira que os orixás falam aos iniciados. Para indicar quem herdaria o trono da Goméia. Porém, foi escolhido para realizá-lo. Segundo a própria Menininha do Gantois, Só ele tinha condições de fazer o jogo naquele momento. Antes de fazer o jogo ele declarou a todos que estavam presentes que faria sabendo que depois, dos quatro mil amigos que tinha naquele local não lhe restaria mais de quinhentos. Disse também que o jogo seria assistido por todos, utilizou os mesmos búzios da cerimônia do Axexê e fez questão inclusive, de que os Ogãs e os mais velhos ficassem ao seu lado naquele momento.

       Para surpresa os Búzios indicaram Seci Caxi, Sandra Reis dos Santos, filha carnal de Kitala Mungongo, Adalice Benta dos Reis e de Demivaldo dos Santos, um sargento da marinha. Espiritualmente Sandra era filha de Angorô, o oxumarê nagô, representado por uma serpente e o arco-íris, ela só tinha nove anos de idade. Com isto, começou a briga pelo poder na Goméia e Tião foi acusado de forjar o jogo e teve de se defender em jornais.. Apesar de na época ter sido filmado e transmitido pela televisão. Ignoraram os fatos; Oxossi, Iansã, Omolu, Oxalá e Oxumarê responderam e bateram cabeça. Sandrinha foi carregada e colocada no trono, sem que ninguém fosse contra a isso, naquele momento.

      Sandra nasceu dentro da Goméia no dia primeiro de novembro de 1961, seu João foi quem fez o parto. A recém nascida, além de ter sido cercada de cuidados, tomou banho de sete dias na bacia de Iansã. Quando estava com apenas um mês de nascida foi retirada do colo de sua avó pelo Oxossi de Pai João que a tomando nos braços, levou-a até o meio do ariaxé (nome dado a um lugar isolado onde os praticantes da religião se recolhem para obrigações). Embrulhou-a então com axoxó (milho vermelho) e depois suspendeu o bebê, devolvendo-o à avó.

      No dia quatorze de julho de 1961, com oito meses de vida Sandra teve de ser raspada por motivos de doença. Seu nome passou a ser Seci Caxi e Seu João alem de padrinho de batismo, passou a ser zelador de Santo dela.

      O Juiz de Menores de Caxias Sr.Eduardo Peres Carnota, decidiu não intervir no problema, pois estava restrito à esfera religiosa e as liberdades de culto estão asseguradas pela constituição e deve ser respeitada.
A autoridade dela seria apenas simbólica. A parte prática seria desempenhada por seu tutor, o ogã Valentim. Seci teria de ocupar o trono somente durante as danças e os cânticos no terreiro. As obrigações (oferendas) só seriam feitas de madrugada, quando Seci já estaria dormindo.

O Legado

      No fim do mesmo ano Tião faleceu. Começou a disputa, Deuandá, Miguel Grosso, Odecoiaci, Samba de Amongo, Ogejican, Ilecy e Dundum ame, Paulo Sergio Nigro que ficou a frente da Goméia enquanto seu João esteve doente, lutavam pelo direito do trono. José Santos Torres, Filho adotivo de seu João denunciou o roubo das peças dos Santos; Oxalá, Iansã, Oxossi, Obaluaê e treze exus. Janelas, telhas e madeiras eram levadas como lembranças do que foi a Goméia do Rio. Sandra morava com a madrinha no bairro de Copacabana no Rio de Janeiro. Sua mãe temia pela vida dela na luta do poder.

     E bom lembrar que na maioria dos artigos e matérias de jornais o nome de batismo de Seci Caxi e apresentado como; Sandra Regina dos Santos. Na verdade seu nome de batismo e Sandra Reis dos Santos. O nome era alterado pelos parentes e amigos temendo que fizessem feitiçaria contra ela, utilizando o nome original.

       O Professor José Ribeiro de Souza, do palácio de Iansã, passou a utilizar o título de “Rei do candomblé” nomeado por um conselho sacerdotes com mais de 50 anos de iniciação na religião, presidido por Tancredo da Silva Pinto.

       A briga passa a ser entre duas correntes, a de Ogã Valentim, do lado de Sandra Reis dos Santos e do outro lado, Mãe Ilecy tendo como escolhido Raimundinho. A luta pelo poder e a lenda do tesouro enterrado na Goméia, fez com que as atividades do centro fossem encerradas em 1983.

      Seu João conheceu Argentina, Peru, Uruguai, França e Inglaterra. Foi convocado para várias seções no coração da África, onde era tido como Rei nagô. Sendo convidado até para assumir uma das muitas tribos de Angola , Fundou uma companhia de Dança Folclórica com a Bailarina Mercedes Batista, gravou um LP pela Continental intitulado de “Joãosinho da Goméa - Rei do Candomblé”. Participou de Filmes como “Nina, a mulher de fogo” e “Copacabana Mour Amour” no papel dele mesmo. Foi tema do samba de três escolas, União Imperial (SP), União da Ilha e Grande Rio, Homenageado pelo museu de Londres e músicos como Nei Lopes, Zeca Pagodinho, Baden Powell, Vinícius de Moraes e o grupo Raça Negra, Parte da trajetória de Joãosinho da Goméia foi escrita em 1971, no raro livro “Vida e Morte de Joãozinho da Goméia” de P.Siqueira, lançado pela editora Nautilus.

      Por causa de sua personalidade foi criado na Bahia o centro de referência e cidadania homossexual Joãozinho da Goméia, a instituição localizada a Rua Frei Vicente, n◦ 24 – Pelourinho, Salvador. O local colhe denuncia de agressões e descriminação, a iniciativa partiu do Grupo Gay da Bahia, para ser mais preciso de Marcecelus Bragg.

      O candomblé da Goméia baiana teve um triste fim. No ano de 1974 foi alugado para Marcel Camus realizar as filmagens de “Os Pastores da Noite” baseado na obra com o mesmo nome de autoria de Jorge Amado. Sendo vendido e ocupado hoje por instalações da EMBASA com uma enorme caixa d’água ocupando aquele sagrado local.

      No dia 22 de setembro de 1987, o vereador Luiz Brás de Luna, indicou à mesa da Câmara Municipal de Duque de Caxias um oficio para a desapropriação do imóvel onde funcionou o “Terreiro da Goméia” para criação do “Centro Cultural Afro-Brasileiro Joãozinho da Goméia”.

     Na época o ato de desapropriação teria o objetivo de resgatar a memória da Goméia restaurando as edificações do barracão que ainda estavam em pé e inaugurando o CCABJG no dia 13 de maio de 1988, precisamente no primeiro centenário da libertação dos escravos. Porém o prefeito Juberlan de Oliveira por algum motivo não quis e preferiu engaveta a indicação.

     No ano de 2003, governo do prefeito José Camilo Zito dos Santos, a Goméia foi desapropriada por indicação do vereador Airton Lopes da Silva o ITO para construção de uma creche. A indenização de R$ 25,000,00 foi depositada na conta de Gitadê, Sebastião Paulo da Silva. Filho de Santo de Joãozinho da Goméia que possui um centro espírita em Franco da Rocha, São Paulo onde estão os assentamentos dos Santos de Seu João.

     A preocupação de preservar a memória daquele patrimônio histórico, garantido pela Constituição federal nos artigos 215 e 216. Reuniu adeptos do candomblé na tentativa de realizar o projeto da primeira indicação o “Centro Cultural Afro-Brasileiro Joãozinho da Goméia”, mantendo vivo o nome do Rei do candomblé.

     No seminário “Cultura para todos” realizado em dezembro de 2003 em Nova Iguaçu. A Sub-Secretaria de Cultura do Município de Duque de Caxias Silvia de Mendonça, com vários artigos de minha autoria. Conversou com o Ministro da Cultura Gilberto Gil (Ogân do Gantois) que passou a responsabilidade da preservação para as mãos da Fundação Palmares que em parceria com a Secretaria de Cultura de Duque de Caxias, realizou no dia 05 de março de 2004 um encontro de africanidade no teatro do SESI em Duque de Caxias.

     Mediei à última mesa com a pauta “Terreiro Joãozinho da Goméia; patrimônio da cultura nacional”. Entre os presentes na mesa estavam Seci Caxi, Sandra Reis dos Santos e Omidarewa, Gisele Cossard (A francesa do candomblé). O encontro não gerou fruto, pois foi encarado por alguns como campanha política, devido o ano seguinte ser seguido pelas eleições.

     Hoje no local ainda existe uma pequena construção do que sobrou da Goméia onde mora Oyá Guerê, Euclides Costa Santos um filho de santo de seu João, as árvores sagradas, pois representam os orixás da nação Angola, uma amendoeira plantada pelo próprio Joãozinho da Goméia e a base de uma nova construção abandonada com a saída do Prefeito Washingtom Reis.

     Reconheço que creche e importante e talvez seja a única maneira de não invadirem o terreno. Porem a restauração do que sobrou de pé para construção de um Memorial a Joãozinho da Goméia e a preservação das arvores, seja bem importante para memória do Município de Duque de Caxias, a volta do Prefeito Zito a prefeitura recomeçou ensaio para reconhecimento do local.

     Todos os patrimônios da época de ouro de seu João foram exterminados sem nenhum respeito cultural e as únicas lembranças de sua vida em Duque de Caxias são; esta construção, a sepultura no cemitério do Corte 8 e a rua próxima a Goméia que o vereador da Arena José Carlos Lacerda apresentou em pedido a Câmara de Caxias no dia 23 de março de 1971 para que a Rua Cascatinha passasse a se chamar João Alves Torres Filho.

     Independente de religião, raça e opção sexual devemos lutar pela história de nosso município. Agora o que resta saber se com a revitalização do terreno, a lenda criada por moradores próximos a Goméia que afirmam escutar cantigas e toques de atabaques além dos Orixás, Exús, Caboclos e o espírito do próprio Joãozinho da Goméia que são vistos no terreno, protegendo o tesouro enterrado. Vai aumentar ou termina?

Sepultura de Joasinho da Goméa no cemiterio do Belén (Corte 8).

Rua Castro Alves no periodo da goméa e Rua João Alves Torres Filho (Atualmente).

Montagem Ilustrativa do documentário "Goméia".

Bibliografia

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Fontes Impressas

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34. JORNAL ÚLTIMA HORA. “Luto Branco por João da Goméia Acaba hoje”. Rio de Janeiro, 20 de Março de 1972.
35. JORNAL DO BRASIL. “Joãozinho baixa e faz sucessora”. Rio de Janeiro, 22 de Março de 1972.
36. REVISTA FATOS E FOTOS. “Aos sete anos Sandra dos Santos foi escolhida pelos orixás para substituir Joãozinho da Goméia. Hoje aos 14, ela sonha ser pediatra, não que nada com o candomblé, mas receia as conseqüências”. Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 1975.
37. JORNAL O GLOBO. “Mãe de Joãozinho da Goméia desmente o leilão do Terreiro”. Rio de Janeiro, 28 de Junho de 1976.
38. SOUZA, Eldemar. “O “Terreiro da Goméia” poderá ser preservado”. In: Revista Caxias Magazine. Duque de Caxias, Outubro de 1987.
39. JORNAL FOLHA DA CIDADE. “Autoridades discutem tombamento do terreiro do babalorixá Joãozinho da Goméia”. Rio de Janeiro, 20 de Fevereiro de 2004.
40. JORNAL O MUNICIPAL. “Terreiro da Goméia poderá finalmente ser tombado”. Duque de Caxias, De 20 de Fevereiro á 05 de Março de 2004.
41. JORNAL FOLHA DA CIDADE. “Antigo Terreiro da Goméia vai virar moderno Centro Cultural”. Duque de Caxias, 12 de Março de 2004.
42. JORNAL FOLHA DA CIDADE. “Ministério da Cultura vai liberar R$ 50 mil para projeto do centro cultural da Goméia”. Duque de Caxias, 12 de Março de 2004.
43. JORNAL O MUNICIPAL. “Ministério libera verba para projeto de centro da Goméia”. Duque de Caxias, 12 a 19 de Março de 2004.
44. JORNAL O DIA. “Terreiro recebeu políticos e ator”. 28 de Março de 2004.
45. LACERDA, Lú. “O Terreiro”. In: Jornal O Dia. Rio de Janeiro, 21de Abril de 2004.
46. JORNAL CORREIO DA BAHIA. “Caboclo forte/ Dias santos”. Bahia, 30 de Maio de 2004.
47. GALVÃO, Marcos. “O famoso Joãozinho da Goméia”. In. Jornal O Dia. Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2004.
48. RODRIGUES, Virgínia. “Joãozinho da Goméia – o rei do candomblé”. In: Revista Cultos de Nação Candomblés. Outubro de 2007.

Entrevistas

1. Adalice Benta dos Reis (Kitala Mungongo) - Filha de Santo de Joãozinho da Goméia.
2. Edgar de Souza - Folclorista e freqüentador da Goméia.
3. Euclides Costa Santos (Oyá Guerê) - Filho de Santo de Joãozinho da Goméia.
4. Felismar Manuel – Padre, Antropólogo e Fisioterapeuta.
5. Fernando Lapoente - Jornalista e Advogado.
6. Ilecy da Silva - Filha de Santo de Joãozinho da Goméia.
7. Sandra Reis dos Santos (Seci Caxi) - Filha de Santo de Joãozinho da Goméia.

Museus e Arquivos

1. Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro.
2. Instituto Histórico Vereador Thomé Siqueira Barreto, Duque de Caxias.
3. Museu Edson Carneiro, Rio de Janeiro.